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Dos haters ao estilo de vida, as confissões de Rita Pereira

Voámos, no início de 2018, até Marrocos para estar com Rita Pereira e conhecer ao detalhe uma das mulheres mais influentes de Portugal.

Voámos, no início de 2018, até Marrocos para estar com Rita Pereira e conhecer ao detalhe uma das mulheres mais influentes de Portugal, até porque, a atriz conquista o mundo healthy! Portugal, Brasil, Holanda, Turquia, Rússia e por toda a América Latina. Foram imensos os países que colocaram a nossa atriz na capa das respetivas Women’s Health. Isto faz dela a mulher portuguesa mais internacional no que a capas de revistas femininas diz respeito, sendo apenas superada por Sara Sampaio.

Perante tal sucesso, seria impensável não voltar a trabalhar com ela, apostadas que estamos em repetir a façanha. Quando se pode pensar que pouco ou nada muda em apenas três anos – tínhamos fotografado em 2015 -, a verdade é que encontrámos uma mulher ainda mais estruturada, decidida e empreendedora. Mais, está em muito melhor forma física.

 

A ligação à Women’s Health

Rita, o que significa voltares a estar na nossa capa?

É uma honra enorme e um orgulho meio vaidoso pelo que conseguimos fazer na altura, sobretudo pelos vários países que depois pediram a nossa capa. Para que saibas, a capa é a minha foto de screen no telemóvel desde essa altura.

 

Por que é que achas que fizeste assim tanto sucesso internacional?

Se calhar foi o à-vontade que eu passo na fotografia de capa e porque eu não tenho o corpo perfeito, mas sim o corpo que qualquer mulher normal pode ter. Surpreendeu-me, no entanto, ter sido capa no Brasil, pois lá há milhares de mulheres inspiradoras. Mas acho que as pessoas, mesmo não me conhecendo pessoalmente, sentem que passo uma boa energia, simpatia e que sou autêntica.

E mudaste assim tanto desde essa altura?

A idade! (risos) Já são 36 anos! Confesso que mudei a minha alimentação. De há um ano para cá comecei a evitar o glúten – isso influenciou bastante as mudanças no meu corpo – e senti muito mais vontade de fazer desporto. Mas gostava de dizer que isto resultou comigo, não significa que resulte com todas as pessoas. Sugiro que façam testes em casa, tal como eu fiz. Cheguei a passar uma semana sem comer arroz para ver como me sentia, noutra semana não comi pão, por aí fora… Eu fiz esses testes sozinha e percebi que o glúten influenciou bastante a minha alimentação e energia. Também comecei a treinar mais e de outra forma. Mais aulas de grupo. Comecei a fazer Body Pump, que era algo que não fazia – achava que se treinasse com carga, ficaria com uma estrutura larga que não resultaria em televisão -, boxe, por aí… De vez em quando, devemos experimentar novas modalidades para contrariar rotinas e dar novos estímulos ao nosso corpo.

O teu corpo muda assim tanto ao longo do ano?

Infelizmente muda. Sou aquela pessoa que, se comer hidratos de carbono como as “pessoas normais”, engorda dois ou três quilos em apenas uma semana. Pão ao pequeno-almoço, massa ao almoço, arroz ao jantar. Não é fácil. Tenho mesmo de ter uma alimentação equilibrada e consciente.

 

O que é que nunca comes?

Chocolate! É verdade, não gosto! E, já sei, quem está a ler isto está a pensar: Que sorte! Mas não é verdade, pois quando vejo o prazer da minha irmã a comer um chocolate sinto que estou a perder um prazer da vida.

 

Uma mulher de fortes convicções

Como é que te defines enquanto mulher?

Sou uma mulher segura, autoconfiante, de espírito livre, que sabe o que quer e que gosta de motivar as outras mulheres a aceitarem-se e sentirem-se bem.

 

E como é que achas que as tuas amigas te definem?

Gostava que essa pergunta lhes fosse colocada, porque eu não vou dar-te a resposta do ‘Sou amiga da minha amiga, sou querida (…)’, mas quero acreditar que estou lá nos momentos mais importantes, que lhes prego partidas que as fazem rir e que também sou a primeira a ligar para resolver algum mal-entendido.

 

É difícil fazer novos amigos (e confiar) quando se é tão popular?

Confesso que tenho dificuldade em confiar nas pessoas em primeiros contactos e, por defesa, posso não ser logo a pessoa mais simpática do mundo. Daí a fama de arrogante que sei que tenho. A verdade é que prefiro essa fama, que reflete apenas a superficialidade de uma relação. Prefiro mil vezes ter a fama de arrogante e proteger-me, deixando que as relações se desenvolvam com tempo, do que fingir simpatia e, mais tarde, desiludir. Tento ser verdadeira sempre, mesmo que nessa verdade caiba alguma antipatia. É a minha forma de defesa.

 

Talvez seja por isso que tens tantos seguidores nas redes sociais. Como sabes, isso costuma ter o reverso da medalha sob o nome de vulgo haters. Conheces bem as regras deste jogo, certo?

Se conheço bem?! Posso dar workshops de como lidar com críticas e haters. E dou-o com um grande sorriso nos lábios. Sei tudo o que vão escrever cada vez que faço um post. Às vezes até a minha agente, que tem anos disto e trabalha com as pessoas mais influentes do país, fica surpreendida em como acerto nas consequências dos meus atos. E vivo muito bem com isso. Mas atenção! Já chorei muito, já quis mandar tudo para o espaço, já quis ligar a jornalistas a pedir satisfações e já quis marcar encontros com haters para me dizerem na cara porque escreveram determinadas coisas. Eu sei que provoco sentimentos de fanatismo: ou me amam ou me odeiam – sem grandes sentimentos intermédios. E, de facto, se sou a atriz mais seguida nas redes sociais em Portugal, é porque o meu vasto público quer estar comigo e isso tenho de agradecer.

 

Até que ponto é que te deixas influenciar por esses comentários?

Leio-os, faço uma reflexão de três segundos para ver se valem uma resposta. Quando respondo é para abrir os olhos aos outros, para fazê-los entender que não podem estar atrás de um telemóvel de ‘cara tapada’ e escrever o que lhes apetece. Não respondo para me sentir bem ou importante. É porque eu tento estar sempre do lado da verdade. Aprendi com a vida o que é realmente importante – com quem e com o que devo preocupar-me e que esta frase feita é mesmo verdade: amanhã ninguém se lembra.

 

Em traços gerais, as redes sociais são o quê para ti?

As redes sociais vieram proteger-me da comunicação social e da imagem que projetaram durante anos. Era uma comunicação onde eu e colegas meus não tínhamos espaço para resposta ou para contestar artigos e notícias fantasiadas. Eu pude dar-me a conhecer através das redes sociais. Pude mostrar-me de forma mais autêntica e em tempo real, em contacto direto com o meu público. Já não sou a personagem da novela ou a personagem que a comunicação social criou ao longo de uma década. Acho muito curioso que muita gente me diga que, antes do aparecimento das redes sociais, tinham uma imagem minha completamente diferente.

 

Sentes alguma dependência em publicar algo todos os dias?

Já refleti muito sobre isso e percebi, analisando e comparando-me com os que me rodeiam, que consigo controlar-me. No meu caso, quando não tenho nada para dizer, não digo. Encher as redes sociais com conteúdos vazios quando não tens nada para dizer ao mundo retira-te a credibilidade e faz com que os seguidores percam a curiosidade de ir ver o que andas a postar.

 

Acreditas que o número de seguidores pode influenciar as produtoras na escolha de protagonistas em televisão e publicidade?

Estará a mentir quem disser o contrário. Sei que sou há anos embaixadora da Pantene em Portugal porque uso os seus produtos desde sempre e porque tenho um bom cabelo – saudável e brilhante –, mas também porque tenho uma ‘legião’ de fãs que serão o impactados através de mim. O mesmo em relação a outros paceiros, como a Oriflame ou a Prozis.

 

Viagens, empreendedorismo e maternidade

O que fazes nos dias de maior stress em que precisas de te reequilibrar?

Se puder, fico no sofá a dormir aquela sesta da tarde e nos entretantos a ver séries sem grande importância. Mas se for verão, vou para a praia com as minhas cadelas. É a melhor forma de relaxar do mundo.

 

Mas tens muita coisa que te tire do sério?

Assim à primeira vista, o bullying. Ao longo dos anos, tem sido uma das minhas batalhas. A defesa dos que passam por isso e o alerta a quem o faz. Felizmente já tive oportunidade de ajudar alguns adolescentes que sofriam de bullying. Posso mesmo dizer que já salvei, pelo menos, duas vidas. E tenho muito orgulho disso.

 

O que é que mais te assusta nesta vida?

É clichê, eu sei, mas é a morte. É algo que não consigo controlar, que não tenho o poder de impedir, que não posso evitar e que está destinado. E vivo com este medo no dia-a-dia. Chega a ser cansativo, tanto para mim, como para os que eu amo.

 

E envelhecer?

Por enquanto ainda posso responder que não me assusta. Mas, hoje em dia, há tantas formas de retardar a velhice física, que acho que se o “susto” vier, será só lá para os 70. Mas também tenho consciência de que a genética está a meu favor. A minha mãe é uma ‘cota’ mega enxuta, pronta para as curvas. Tenho tanto orgulho em ti, mãe!

 

Por falar nisso… Vês-te como mãe a curto prazo?

Já me vejo como mãe há uns aninhos. Tenho dado prioridade ao trabalho, mas a idade já me leva a refletir sobre o que é mais importante neste momento.

 

Tens algum projeto que gostasses de concretizar e que nunca tenhas revelado a ninguém?

Queres um exclusivo, é isso?! (risos) Vou contar-te, com a consciência de que alguém me vai tentar copiar! Gostava de ter uma marca de roupa desportiva e biquínis que não deixem marcas de bronzeado.

 

Pensei que me fosses falar em projetos relacionados com viagens… Aliás, estou a entrevistar-te num dos melhores hotéis em Marraquexe, o Selman Marrakech, e gostava de te perguntar se és daquelas que dorme e come em qualquer lado ou és seletiva nesse aspeto?

Sou uma mistura de ambas. Quando conheces o bom, o premium, como este Selman e viajas com o excelente apoio do Turismo de Marrocos em que nada te falta, já tens alguma dificuldade em voltar ao mais ‘roots’. Mas quando era mais nova e não tinha dinheiro para luxos, era muito feliz a acampar em Monte Gordo e a comer uma sandes na bomba de gasolina. Mas atenção, convida-me para acampar na Tanzânia que eu vou! Porque o que gosto mesmo é de viajar.

 

Este hotel tem o cavalo como imagem de marca e escolhemo-lo porque sabemos que é o teu animal preferido. De onde vem essa ligação?

Quando era pequena, o meu pai tinha o atelier de cerâmica numa quinta de uns amigos em Albarraque. Havia cavalos. Quando eu saía da escola e aos fins de semana, pedia-lhe sempre para ir para o atelier. Ficava horas a ver os ‘riquinhos’ a ter aulas de equitação e, quando as aulas acabavam, os donos da quinta – os queridos Ramalhos – deixavam-me montar o cavalo até às cavalariças, dar-lhe banho, escová-lo e guardar os outros cavalos. Fui tão feliz ali. Nem sei se essa família tem consciência do quão feliz me fazia. A paixão ficou para sempre. O meu sonho é ter uma quinta com cavalos e cães, uma cabra anã, um porco anão e um pónei. (risos) Adoro animais!

 

Qual é o teu top 5 de lugares para onde já viajaste e os que queres conhecer?

Para onde já viajei: Tanzânia, Índia, Guadalupe, São Tomé e Príncipe e Maldivas; Os que quero conhecer: Japão, África do Sul, Austrália, Costa Rica e sul de Itália.

 

O estilo de vida saudável

Voltando à forma como te cuidas e geres o teu tempo… A nível de alimentação, quais foram os melhores conselhos que te deram?

Comecei a interessar-me por alimentação quando conheci a nutricionista Ana Bravo. Hoje em dia leio muito sobre o tema. Tenho plena consciência das consequências de cada alimento que ingiro e sim, sou aquela pessoa que vê as calorias de cada alimento que compra. Sabes porquê? Porque isso faz com que eu possa comer mais sem engordar. Dando-te um exemplo: há pouco tempo mostrei à minha mãe uma tabela de calorias. Ficou chocada. A primeira coisa que disse foi: ‘O quê?! Um pacote de amendoins com sal pode ter as mesmas calorias que um hambúrguer?!’ A partir desse dia, quando a minha mãe tomou consciência das calorias dos alimentos, disse que passou a ser muito mais feliz na sua alimentação e perdeu peso. As pessoas cometem tantos erros sem necessidade… bastava estarem um pouco mais informadas.

 

És fundamentalista no que diz respeito à comida?

Já te referi a minha alimentação base ao longo do ano, mas, espera lá, não dispenso um bom cozido à portuguesa, umas ervilhas com ovos escalfados, uma cachupa e uma tábua de queijos e enchidos. Compenso é no dia seguinte no ginásio. Acima de tudo, tenho de ser feliz e o segredo está no equilíbrio.

 

E isso passa também pelo treino, certo? Que desportos preferes?

O meu background é dança e basketball, ou seja, estar fechada num ginásio com máquinas é uma tortura para mim. Há cerca de sete anos descobri as aulas de grupo e gosto. São uma motivação para ir treinar. Como eu gosto de competição, quando estou nas aulas de total condicionamento, bodypump ou cycling, de rastos e só me apetece parar o exercício, olho para o lado e vejo senhoras com 80 anos a continuar, e penso: ‘Rita! Se elas conseguem tu vais parar?! Nem penses!’.

 

Mas treinas quantas vezes por semana?

É muito relativo. Se estiver a gravar, só treino uma ou duas vezes por semana. Se não estiver com um projeto de ficção, treino até os músculos o permitirem e isso chega a ser cinco dias por semana. Rita, uma pergunta final: O que queres que esta entrevista transmita às nossas leitoras? Que eu sou uma pessoa com problemas e preocupações, tal como elas. Que não como tudo o que me apetece porque engordo com o ar, que tenho sonhos por concretizar e força de vontade para lá chegar e que quero, acima de tudo, motivá-las a mudarem aquela coisa na sua vida para a qual estão há anos a tentar ganhar coragem.

 

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