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Diga-nos o que veste e dir-lhe-emos como cuida do planeta

Há cada vez mais marcas de roupa empenhadas em zelar pelo meio-ambiente. Temos aqui alguns exemplos que vai querer conhecer.

Diga-nos o que veste e dir-lhe-emos como cuida do planeta
Cortesia Mango

A indústria do têxtil é vista como uma das mais inimigas do ambiente. Em causa estão vários fatores: o material usado (nem sempre obtido de forma ecológica e muitas vezes oriundo de plástico virgem), a produção em massa de várias coleções por ano, o fabrico das mesmas (com tingimentos químicos que danificam as águas, por exemplo), o transporte (uma simples peça de roupa é capaz de viajar por todo o mundo até chegar ao cliente) e o uso dado pelos consumidores (que, apesar de cada vez mais descartável, implica lavagens e secagens, entre outros aspetos).

A organização não-governamental World Wide Fund for Nature (WWF) revela, no relatório de 2017, que a indústria têxtil emite 1,7 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono todos os anos e que é responsável pelo uso extensivo de água e por parte da poluição causada nos rios e mares. Além disso, o organismo alerta para o facto de o setor produzir 2,1 mil milhões de toneladas de resíduos anualmente, aumentando ainda mais o impacto que tem no ambiente.

O combate ao fast fashion é uma das ferramentas usadas para zelar pelo ambiente, mas mais do que colocar um pé no travão do consumo, há que repensar a produção, seja na quantidade, como na qualidade do material usado. E é isso que várias marcas têm feito, apresentando coleções mais amigas do ambiente, seja na escolha de matéria-prima oriunda do comércio justo e responsável, seja na reciclagem de material, na produção mais limitada e na comercialização mais ecológica.

Por cá, existem já várias marcas 100% nacionais que apostam na moda consciente, criando coleções limitadas que têm por base o algodão orgânico ou outros materiais produzidos e tratados em território nacional. É o caso da Verney (que faz calçado a partir de canábis e maçã), da Näe, wetheknot, Conscious, Paparina, Rust & May, +351, Zouri, etc.

A portuguesa Lemon Jelly tem aproveitado o excedente para produzir novos modelos, que dão vida à linha Recycled Lemons. A Lemon Jelly venceu a categoria ‘Best Carbon Footprint Initiative’ nos Sustainable Fashion Awards 2020.

Lemon Jelly

Um exemplo semelhante é o da brasileira Melissa, pois o plástico usado na produção dos sapatos “é totalmente reciclável e entre 15% a 30% da produção é feita através de materiais reciclados da própria fábrica”, anuncia a marca em comunicado.

 

Fast fashion a acelerar para a sustentabilidade

No que diz respeito ao fast fashion, que continua a ser a escolha dos consumidores pelos preços competitivos que apresentam, as mudanças são graduais e ainda pequenas quando comparadas com toda a produção anual. No entanto, há marcas que se comprometem a mudar o chip e a colocar o ambiente em primeiro lugar. E são já várias as coleções, mesmo que cápsula, que começam a saltar à vista dos consumidores.

Um dos exemplos mais recentes é a UGG, que lançou a linha Fluff Sugar, em que as sandálias são compostas por Materiais de origem vegetal como cana-de-açúcar reciclada e Tencel (tecido proveniente de florestas certificadas). “A cana-de-açúcar é um recurso que depende unicamente da água da chuva e que elimina o CO2 da atmosfera, não necessitando de rega”, justifica a marca.

UGG

Na coleção outono-inverno, a Calzedonia apresentou uma linha mais ecológica, feita a partir de fio obtido de fibras de algodão reutilizáveis e poliéster reciclado, proveniente de garrafas de plástico PET. O FIO 100% CERTIFICADO GRS possui um reconhecimento internacional da Global Recycled Standard e a marca compromete-se a “poupar no consumo de água, reduzir as emissões de CO2 e, em geral, o consumo de energia não renovável, evitando a utilização de químicos nocivos, bem como poupando o desperdício”. Já a Tezenis decidiu apostar numa linha de lingerie – a Be The Change – feita com renda reciclada, dando uso ao excedente têxtil de outras produções.

O caso da sueca H&M é um dos mais sonantes, não só pelo lançamento de várias coleções e peças ecológicas – a maioria produzida com algodão orgânico e na linha Conscious -, mas sobretudo pela reciclagem dos tecidos, um processo que conta com a ajuda dos consumidores. Este mês a aposta vai para o uso de outros materiais amigos do ambiente, “transformando desperdício de colheitas alimentares – neste caso de cânhamo – numa fibra natural, Agraloop™ Biofibre™ pode ser encontrado em várias peças, como no hoodie e no trenchcoat levemente estruturado”, explica a marca em comunicado.

No grupo Inditex – do qual fazem parte pesos pesados como Zara, Bershka, Massimo Dutti Oysho e Pull & Bear – são as linhas Join Life as que espelham o compromisso pelo ambiente. Apesar de cada uma das marcas ter o seu compasso de atuação, os materiais reciclados e o algodão orgânico têm vindo a ser os protagonistas das coleções mais recentes, no entanto, a própria Inditex já assumiu que, até 2025, pretende usar matérias-primas sustentáveis, reduzir o plástico e usar plástico reciclado e reciclável e dar destaque a energias renováveis. Na Bershka, por exemplo, há o compromisso de, daqui a quatro anos, usar apenas poliéster reciclado.

A campanha Wear The Change da C&A é a que melhor espelha o compromisso da marca em ‘vestir a mudança’. A moda circular, o uso de materiais ecológicos e a criação de empregos justos são algumas das apostas da empresa. Para o consumidor, o mais notório são as coleções ecológicas, que fazem do algodão orgânico protagonista. Em 2015 a marca passou a fazer parte do Better Cotton Initiative (BCI) e ajudou a fundar o Organic Cotton Accelerator.

Já a Mango fez recentemente uma aposta em algodão reciclado, criando uma linha de acessórios sem recorrer à produção de algodão. O algodão reciclado utilizado pela Mango é proveniente de restos de algodão, processados para se tornarem novamente matéria-prima. Se não for preciso plantar novo algodão, não é necessário trabalhar sobre nenhuma terra, água é poupada e não são utilizados pesticidas. Ao utilizar tecidos reciclados, a Mango contribui para uma economia circular, prolongando a vida de cada peça, em vez de a descartar simplesmente”, anuncia em comunicado.

A Timberland tem dado também passos largos por um futuro da moda mais ecológico. O uso de regenerative leather – “proveniente de quintas que usam práticas de agricultura regenerativa, ajudando a melhorar o solo e a produtividade da terra”, explica a marca – e de couro reciclado – que ajuda a minimizar o desperdício – são apenas algumas das estratégias já em vigor.

Timberland

Uma das recentes coleções da Levi’s é a prova de que é possível criar peças de alta qualidade usando o excedente ou materiais usados. A Levi’s uniu-se à portuguesa Béhen e criou o Levi’s® + Béhen Denim up-Cycling Project, um projeto composto “por três total-looks de mulher e três total-looks de homem, que perfazem 15 novas peças únicas e exclusivas criadas a partir de 25 peças em denim de coleções antigas e stocks parados de produto da Levi’s”.

Além de peças de produção mais consciente e ecológica, a Kiabi uniu-se à Reforest’Action e aposta na reflorestação em países onde a sua pegada ecológica é maior, de forma a conseguir equilibrar a balança ambiental. Por cá, e até ao final deste mês, a marca francesa vai plantar duas mil árvores autóctones na Serra de Monchique. Durante uma conferência de imprensa, Stéphanie Bonet, da Reforest’Action, explica que a zona algarvia foi a escolhida devido aos fortes incêndios de que foi alvo recentemente. Ainda no que diz respeito à reflorestação, a Kiabi conta com a ajuda dos clientes. Através do projeto Conta Bebé é plantada uma árvore por cada criança registada no site.

 

Eco sporty

No mundo sporty, tanto a Reebok como a adidas têm dado passos largos na criação de peças mais sustentáveis.

No caso da Reebok, uma das coleções que mais saltou à vista foi a Reebok Cotton & Corn, que usa materiais naturais no fabrico de produtos mais sustentáveis. O modelo Club C Cotton + Corn “é feito com materiais de origem vegetal, em que a parte superior é 100% algodão e a sola tem uma base biológica derivada de milho. Os chinelos da coleção Cotton + Corn são os únicos produtos de calçado no mercado que foram certificados com 75% de conteúdo orgânico pelo USDA, (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e são vendidos em embalagens 100% recicladas”, lê-se no comunicado da marca. Já a coleção Club C Cotton + Corn apresenta “os primeiros corantes totalmente naturais desenvolvidos pela Reebok. Estes corantes foram aplicados na parte superior, rótulos e palmilhas do sapato, e são feitos de produtos 100% naturais, incluindo mirobalão, nozes de saponária, romã e nozes”.

Reebok

Forever Better é o compromisso da Puma em prol do ambiente. A marca alemã compromete-se em reduzir o impacto no meio ambiente, sobretudo no que diz respeito aos resíduos. Para tal, aposta na criação de empregos sustentáveis, menor uso de água ​​e no uso de materiais sustentáveis ​​como borracha reciclada e poliéster.

Quanto à adidas, são já várias as peças feitas com material reciclado, sobretudo plástico. A sua união com a Parley Ocean Plastic não é de agora e permite que sejam criadas sapatilhas com plástico retirado do fundo dos oceanos, que dá origem ao material Primeblue. Mais recentemente, a marca alemã colocou no mercado uma versão reinventada dos seus clássicos Stan Smith, agora feitos com “uma série de materiais reciclados de alto rendimento, combinados com uma sola feita a partir de resíduos de borracha e uma parte superior fabricada com PrimeGreen, composto por 50% de material reciclado”, anuncia em comunicado. O compromisso da adidas com o ambiente é já de longa data e as metas estão traçadas: a empresa quer continuar a inovar na área de sustentabilidade para conseguir, até 2024, eliminar por completo o poliéster virgem dos produtos.

adidas

 

Luxo responsável

Um exemplo de reinvenção em prol do ambiente é o da Chopard. A atriz e ativista Marion Cotillard juntou-se ao projeto Journey to Sustainable Luxury, lançado pela marca em 2013. O resultado foi a coleção cápsula Ice Cube Capsule by Marion Cotillard, que conta com sete criações de Alta Joalharia em ouro com certificação ética e diamantes com o melhor critério internacional. “Os 18 quilates amarelos de ouro usados para estes modelos, explorados em concordância com as melhores garantias sociais e ambientais, certificadas pelo Fairmined label, têm sido utilizados no workshop Chopard.Esta É ainda uma das poucas coisas com fundição in-house, um privilégio que permite converter o ouro de forma 100% responsável.Os Diamantes, por outro lado, são explorados por fornecedores que são membros do Responsible Jewellery Council”, anunciou a Chopard num comunicado enviado às redações

Chopard

Por cá temos, entre muitos, o exemplo da Ownever, uma marca portuguesa de malas de luxo que tem como mote combater o desperdício e criar peças duráveis, promovendo o consumo consciente. Além do algodão orgânico, o couro usado “é de alta qualidade e provém de um curtume português, que utiliza técnicas de curtimento vegetal e torna o couro biodegradável”, explica a marca no seu site.

 

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