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Dia Mundial do leite: As bebidas vegetais “não podem ser consideradas um substituto”

No dia mundial do leite, a nutricionista Sara Biscaia Fraga alerta para as diferenças entre este produto e as bebidas vegetais, vistas como alternativas.

leite

Na última década, têm surgido diversas bebidas de origem vegetal, muitas vezes apresentadas como substitutas do leite, especialmente para quem tem intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca. O facto de cada vez existirem mais vegetarianos e veganos, veio contribuir para este aumento.

Importa esclarecer que o leite e as bebidas de origem vegetal são produtos alimentares diferentes.

Dado o aumento da procura por este tipo de bebidas “alternativas”, a indústria alimentar desenvolveu uma grande variedade de opções vegetais. Embora sejam popularmente anunciadas como opções saudáveis, poucos são os estudos a curto e a longo prazo sobre os seus benefícios. Para além de que os consumidores associam estas bebidas alternativas a um substituto direto do leite de vaca, o que não corresponde à verdade no que toca à composição nutricional.

Apesar destas bebidas vegetais serem populares por apresentarem características de cor e de uso culinário semelhante ao leite de vaca, não podem ser consideradas um substituto.

O leite e os seus derivados compõem um grupo de alimentos cultural e nutricionalmente importantes, tanto por estarem presentes no quotidiano da maioria das pessoas, como por disponibilizarem quantidades de nutrientes essenciais às necessidades diárias do organismo. Em Portugal, o hábito alimentar mais comum é o consumo de leite de vaca na primeira refeição do dia.

Por ser fonte de proteína, péptidos, fósforo e vitaminas (A, B2, B12, D e biotina) e cálcio, o seu consumo, bem como dos seus derivados, contribui para uma boa nutrição. Os lacticínios são responsáveis por grande parte da ingestão diária de cálcio, um micronutriente fundamental em todas as fases de vida. Segundo a Dietary Reference Intakes (DRI) a recomendação de ingestão de cálcio para um adulto, tanto homem como mulher, na idade adulta é de 1000 mg/dia. Para mulheres com mais de 51 anos e homens acima dos 70 anos, a recomendação é de 1200 mg/dia.

Perante o teor de cálcio no leite, podemos considerar facilmente que os laticínios são as únicas fontes alimentares ricas neste elemento, embora também existam alguns alimentos de origem vegetal que contribuem para o aporte de cálcio, como a couve, a rúcula, o agrião, o tofu enriquecido, feijão, sementes e amêndoas. Para além destes alimentos, existem alimentos processados de origem vegetal, fortificados com cálcio, também podendo ser uma opção para indivíduos com alergia à proteína do leite ou veganos.

As bebidas vegetais à base de cereais, oleaginosas e leguminosas têm sido usadas como substitutos do leite. Podem tais alimentos serem equivalentes nutricionalmente do leite?

Em suma, as diferenças entre o leite de vaca e as bebidas vegetais são muitas. As bebidas vegetais não se podem comparar com o leite de vaca pois a sua composição nutricional é completamente distinta, nomeadamente, apresentam baixo valor proteico (exceto a bebida de soja), não contém naturalmente teor de cálcio e vitamina B12 e é um produto alimentar com um custo elevado. De um modo geral, as bebidas de origem vegetal apresentam determinadas vitaminas e minerais, uma vez que são submetidas a um processo de suplementação. Perante determinados problemas como a intolerância à lactose ou obesidade, a indústria do leite disponibiliza já diversas versões que se adaptam a necessidades específicas, como leites sem lactose ou leites magros.


Artigo escrito por: Dra Sara Biscaia Fraga, nutricionista clínica responsável pelo departamento de Nutrição na Clínica Biscaia Fraga

Sara Biscaia Fraga

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