Menu
Inicio Nutrição “É importante retomar o ‘velho’ padrão da Dieta Mediterrânea”

“É importante retomar o ‘velho’ padrão da Dieta Mediterrânea”

Uma doença crónica com uma prevalência cada vez maior em Portugal e no mundo, a obesidade urge em ser combatida por via da prevenção e não só.

60% da população portuguesa está em ris co de desenvolver obesidade. quem o diz é a Fundação Portuguesa de Cardiologia, uma das várias organizações de saúde que sabe ser mais que urgente o combate a esta epidemia.

E definir a obesidade como a epidemia do século XXI não é exagero, e as palavras não são nossas. Foi a Organização Mundial de Saúde que a apontou assim, como reflexo dos contrastantes números que não passam despercebidos e separam um curto período de poucas décadas.

Lélita Santos, internista e membro da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna reconhece-o à Men’s Health, certa de que “a obesidade tem vindo a aumentar em todo o mundo, e em Portugal, de forma gradual e preocupante”. O foco está nas zonas urbanas, onde são as crianças as principais afetadas.

Comparemos os dados de 2000 e 2019. Há 19 anos atrás, segundo a OMS, 15% da população era obesa. Hoje, a percentagem sobe para os 22%, diz o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. A nível mundial, a prevalência de obesos quase que triplicou desde 1975, e Portugal não se afasta do panorama global.

Como o combater?

Não restam dúvidas de que é na prevenção que está o ganho. Aliás, como assume Lélita Santos, “prevenir a obesidade é, aparentemente, relativamente fácil”, já que o seu desenvolvimento assenta em “hábitos desadequados, alimentação desequilibrada e sedentarismo”, enumera. Contra isto, devemos “desde a infância estimular e educar para os bons hábitos alimentares e de atividade física”.

Porque não vemos resultados?

De simples, a questão passa rapidamente a ambígua. É que se por um lado o acesso à informação sobre o tema é maior, o que sustenta uma adoção de hábitos mais saudáveis, por outro lado o caminho parece demasiado longo até que se chegue à redução de custos sociais, familiares e económicos. “Esperemos que, gradualmente, sejam criadas condições para que todos possam conseguir adotar estilos de vida saudáveis”, diz a especialista. Uma melhoria que passa, também por um melhor acesso a espaços de lazer e a alimentos de boa qualidade.

Nesta visão, Lèlita Santos, enquanto membro da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna alerta: “É importante retomar o ‘velho’ padrão da dieta mediterrânea, não só para a alimentação mas também para o convívio à mesa e em família”.

Melhorar a alimentação e alertar para a importância da atividade física pode ser mais fácil do que se pense e com resultados tão mais positivos do que se imagine. Quanto àqueles que já sofrem de obesidade, “há meios farmacológicos e cirúrgicos que podem ajudar nos casos mais graves”, mas a mudança só acontecerá se “da parte do doente existir a devida disciplina para encarar o tratamento da obesidade como uma doença crónica com consequências que podem ser muito graves para a sus saúde no geral”, conclui a internista.


Leia também:

Obesidade saudável? Ciência deita por terra a teoria

Brand Story