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Dia Mundial da Hipertensão: Porquê especificar o caso da mulher?

pressão arterial

A hipertensão arterial é um factor de risco major para as doenças cardiovasculares, tendo uma elevada prevalência na população em geral. Assim sendo, devido à elevada morbilidade e mortalidade associadas às doenças cardiovasculares e os elevados custos do tratamento destas, torna-se imperativo o diagnóstico e o tratamento adequados e atempados de todos os factores de risco nos quais se inclui a hipertensão arterial.

A medida da pressão arterial constitui o meio essencial para o diagnóstico da hipertensão arterial – que se baseia na história clinica do doente, no exame físico e exames complementares que podem permitir identificar a sua etiologia e o grau de atingimento dos órgãos-alvo . O indivíduo é considerado hipertenso quando a sua pressão é superior ou igual a 140mmHg e/ou 90 mmHg. A hipertensão arterial pode ser essencial ou primária (em cerca de 95% dos casos), ou secundária a uma doença identificável (por exemplo: renal, hormonal ou apneia do sono). Trata-se de uma doença perigosamente silenciosa! Habitualmente não causa sintomas. Quando estes surgem (dor de cabeça, alterações na visão, zumbidos, tonturas, falta de ar…) provavelmente ela já estará numa fase mais avançada. O ideal, portanto, é detectá-la antes que surjam queixas.

Existem vários fatores de risco para a hipertensão arterial entre eles a idade (existe um aumento da presão arterial com o avançar da idade) e a hereditariedade, estes não podemos modificar. Contudo a grande maioria destes fatores de risco são modificáveis como, o tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo e o excesso de peso, todos se associam à elevação da pressão arterial.

Como medidas preventivas destaco a adopção de um estilo de vida saudável com hábitos alimentares saudáveis (reduzir o consumo de sal, moderar o de álcool, controlar o de gorduras, aumentar o consumo de frutas e legumes…) associados à prática de actividade física regular (existe uma relação inversa entre a quantidade total de atividade física e a incidência de hipertensão arterial), o abandono do tabagismo e o controlo do stress emocional.

Quando estas medidas não se revelam suficientes para o controle da pressão arterial, será necessário, por indicação médica, recorrer aos medicamentos anti-hipertensores, fazendo as associações necessárias até atingir o valor alvo. Cabe ao doente o cumprimento da terapêutica instituída! Muitas vezes o controle inadequado da pressão arterial deve-se à falta de adesão à medicação. Caso surjam dúvidas quanto à medicação ou efeitos secundários o doente deverá sempre recorrer ao seu médico e colocar as questões necessárias evitando assim suspender a medicação, o que poderá ter consequências nefastas.

Porquê falar de hipertensão arterial na mulher?

Apesar de tudo o que foi referido anteriormente se aplicar a ambos os sexos, as mulheres apresentam algumas particularidades que as distinguem do homem. A primeira, psicossocial, prende-se com a atitude da grande maioria das mulheres que acumulam tarefas em casa, no trabalho…, que se preocupam com tudo e com todos e que se esquecem de si próprias e da sua saúde. É por isso fundamental alertar as mulheres para este problema e realçar as fases da sua vida em que devem estar ainda mais atentas à sua saúde.

Até por volta dos 60 anos a incidência de hipertensão arterial é menor nas mulheres do que nos homens, devido ao efeito protector das hormonas femininas. Com o início da menopausa , esta tende a igualar-se, pelo que, as mulheres nesta fase da vida, deverão estar ainda mais atentas à adopção de uma vida saudável e consultar o seu médico de forma mais regular, por forma a minimizar o risco de doenças cardiovasculares.

Na idade fértil da mulher, a toma de anticoncepcionais orais deve ser considerada como possível causa de hipertensão arterial. O uso de anticoncepcionais orais deverá muito bem ponderado pela mulher juntamente com o seu médico, pois em pois em mulheres com mais de 35 anos de idade, obesas e/ ou fumadoras existemaior risco de hipertensão arterial e de doenças cardiovasculares. Quando iniciar a toma de anticoncepcionais orais deverá vigiar a sua pressão arterial periodicamente.

A hipertensão arterial também pode surgir durante a gravidez, constituindo uma das mais importantes complicações com elevado risco de morbidade e de mortalidade materna e perinatal, pelo que a grávida deve ser acompanhada com regularidade e a sua pressão arterial ser avaliada a cada consulta para que o diagnóstico e tratamento seja instituído atempadamente. Nesta fase da sua vida a mulher também deverá estar ainda mais atenta à adoção de um estilo de vida saudável.

Por fim, não poderia deixar de fazer referência a este contexto de pandemia covid-19, que estamos a viver. Primeiro gostaria de realçar que os doentes deverão manter a sua medicação anti-hipertensora, nomeadamente os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e os antagonistas do receptor da angiotensina (ARA2), sem receios, pois as sociedades científicas vieram desmentir a informação que foi erradamente divulgada, relativamente ao maior risco de complicações graves na infecção por este vírus em doentes sob esta medicação, esta afirmação não tem evidência científica!

Segundo, tranquilizar a população, informando que a actividade programada, nomeadamente para consultas, exames e tratamentos presenciais foi retomada pelas unidades de saúde. Por exemplo, no Hospital CUF Infante Santo, foram implementadas medidas de protecção adequadas para os doentes e profissionais de saúde – o que permite o acesso aos cuidados de saúde com toda a segurança e eficácia e, assim, o controle adequado das patologias crónicas, na qual se inclui a hipertensão arterial.

 

*texto escrito por Susana Castela, cardiologista no Hospital CUF Infante Santo

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