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Porque é que ainda questionamos se a toma da pílula deve ser contínua?

O Serviço Nacional de Saúde britânico apresentou novas diretrizes que dizem que não fazer intervalo não traz qualquer consequência para a saúde da mulher. Contudo, nada disto é novidade.

Porque é que ainda questionamos se a toma da pílula deve ser contínua?

Tomar a píllula diariamente, para evitar a chegada da menstruação é algo feito pontualmente por algumas mulheres. Evitar dores insuportáveis ou motivos mais práticos, pelos quais se queira evitar a menstruação, são os casos mais comuns.

A quem faz e a quem se retrai neste ‘método’, surge sempre a questão: ‘será prejudicial para a saúde?’ A fertilidade é outro ponto que deixa muitas de pé atrás.

Em formato de novidade, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido garante que, afinal, as mulheres que não façam o intervalo de quatro ou sete dias, por exemplo, entre a toma da pílula, não correm risco de infertilidade ou qualquer outro problema de saúde.

Tais diretrizes surgem baseadas num estudo apresentado pela Faculdade de Saúde Sexual e Reprodutora (FRSH) do Royal College of Obstetricians & Gynaecologists.

E porque o faríamos?

Diz a publicação que além de não haver benefícios para a saúde, evita os excessivos corrimentos sanguíneos de que algumas mulheres sofrem. Ainda, é um método que ajuda a evitar dores e outros sintomas associados à menstruação.

“Mas isto já se sabia há 100 anos”. Esta foi a resposta por parte do ginecologista Alexandre Lourenço, a quem pedimos um comentário sobre o tema. 100 anos é certamente um exagero, contudo, é algo que o especialista garante saber desde que começou a trabalhar na área, há 25 anos.

Porque continuamos a fazer a mesma questão, é algo que se responde pela grande variedade de mulheres, cada qual com uma menstruação única e não comparável com qualquer outra.

Esta impossibilidade de generalização é quase temida por quem procura uma resposta única à questão. Más notícias: não existe. Se para umas a pílula de toma contínua, sem intervalo, é a melhor opção, para outras é necessário seguir as regras ditas ‘tradicionais’.

O corrimento inesperado é o principal aspeto negativo

Alexandre Lourenço lembra o caso específico de uma paciente sua. Era modelo internacional e por isso “não podia arriscar estar a menstruar durante uma sessão fotográfica de biquínis”, por exemplo.

Por isto, para a referida modelo o método sem interrupção não era aconselhado, já que é comum a estes casos haver corrimento sanguíneo não esperado. Ou seja, numa altura que a mulher não teria meio de prever. Ou seja, com este método, a mulher deixa de ter o total controlo da sua menstruação. Ainda assim, para as que sofrem de dores insuportáveis, não é um método que ginecologistas neguem.

Mas se pensa que a pílula pode ser tomada ‘de qualquer forma’, está enganada. Como alerta o ginecologista, para que um método contracetivo tenha efeito, deve ser seguido por um mínimo de 21 dias. Este período é válido tanto para a pílula como para o anel vaginal, e tem de ser respeitado ao máximo.

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