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Dermatite Atópica: as limitações diárias de quem vive com a doença

Dr. Pedro Mendes Bastos
Dermatite Atópica: as limitações diárias de quem vive com a doença
Pixabay

POR Pedro Mendes Bastos, Médico especialista em Dermatologia e Venereologia e Consultor Científico da ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal

 

A Dermatite Atópica (DA) é uma doença dermatológica, e é assim que devemos encará-la. Dermatite atópica ou eczema atópico são sinónimos. Categoriza-se como uma doença inflamatória da pele, tal como a psoríase, mas com caraterísticas próprias que importa conhecer. A DA entra no grupo de doenças de pele chamado eczemas, sendo considerada a forma de eczema mais frequente.

A DA carateriza-se pela secura da pele (xerose), comichão (prurido) e surgimento de manchas avermelhadas, ásperas e descamativas. É particularmente frequente em bebés, crianças e adolescentes, estimando-se que possa afetar 20% da população em idade pediátrica nos países desenvolvidos. Habitualmente melhora com o avançar dos anos, podendo persistir para a vida adulta em 1/3 dos casos. Estima-se que haja cerca de 440 mil pessoas em Portugal com DA e que 202 mil têm dermatite atópica moderada e grave.

O impacto da DA é individual e depende de cada caso e em cada momento particular. De uma forma geral, podemos afirmar que a gravidade da doença determinará o impacto nas suas atividades diária, com os doentes moderados a grave registando maiores limitações que as formas ligeiras. Apesar disso, devemos salientar que o prurido é transversal a todos os doentes, podendo ser altamente incapacitante, perturbando a capacidade de concentração na escola ou no trabalho. O prurido e o desconforto na pele originam dificuldades em dormir, com impacto evidente na qualidade do sono. Situações que originam transpiração excessiva podem ser altamente limitativas para os quem vive com DA, dado o potencial irritativo do suor e a fricção na roupa na pele danificada. Por esse motivo, muitos não conseguem praticar exercício físico ou ir à praia ou apenas conseguirão fazê-lo de forma muito limitada. Por outro lado, o simples duche diário ou nadar no mar ou na piscina podem ser uma tortura pois, para algumas pessoas, o simples contacto da pele com água torna-se intolerável.

A causa desta doença não é simples e está ainda a ser estudada. Sabemos que a DA é mais frequente hoje do que no passado, especialmente em áreas urbanas bem como nos climas mais frios. A conjugação de genes de atopia com algumas caraterísticas ambientais determina o surgimento desta doença. As alterações na pele surgem por dois mecanismos: anomalias da barreira cutânea e inflamação causada pelas células do sistema imunitário, com desvio para hiperinflamação do tipo 2. A pele de um doente com DA não funciona como uma barreira eficaz, não tendo a mesma capacidade de se manter hidratada e de se defender das constantes agressões do dia-a-dia como o banho, fricção da roupa ou variações de temperatura. Por outro lado, a reatividade excessiva das células do sistema imunitário a nível da pele perpetua a inflamação e os problemas de barreia, gerando-se um círculo vicioso de xerose, prurido, vermelhidão, descamação e fissuras.

Como a maioria das doenças dermatológicas, o diagnóstico é clínico, habitualmente sem necessidade de exames, sendo habitualmente linear nas crianças e mais difícil quando falamos de DA no adulto. Importa saber que existem diferentes graus de gravidade: a maioria das pessoas terá uma DA considerada ligeira, isto é, que pode ser apropriadamente gerida com tratamentos de aplicação na pele (os chamados tópicos). Alguns doentes sofrerão de DA moderada a grave, habitualmente aqueles que necessitarão de fototerapia ou tratamentos sistémicos (orais ou injetáveis). Estes casos mais complicados necessitarão de terapêutica imunossupressora ou imunomoduladora, com vista ao controlo da inflamação excessiva de que falámos anteriormente. Foi aprovado recentemente o primeiro tratamento biotecnológico para a DA moderada a grave, com acréscimo de eficácia e segurança, face aos tratamentos disponíveis. Vários medicamentos tópicos e sistémicos estão neste momento em fases finais de ensaios clínicos, sendo muito provável que novas opções terapêuticas venham enriquecer o leque de tratamentos para a DA que podem vir a devolver alguma qualidade de vida a estes doentes e possibilitar atividades físicas e outras da sua vida diárias que anteriormente não seriam possíveis.

NÚMEROS A TER EM ATENÇÃO

A Dermatite Atópica em números, segundo um estudo português divulgado em setembro desenvolvido pela Universidade NOVA de Lisboa, Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia e ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal.

  • As pessoas que vivem com esta doença gastam em média 44 minutos diários para tratar da sua pele
  • 50% doentes com DA grave refere que passa mais de 14 noites mal dormidas por mês
  • Mais de um terço dos doentes com DA grave refere sentir vergonha, ansiedade e frustração com a sua doença
  • O diagnóstico da DA demora em média 2 anos
  • Estudo mostra que, em média, cada paciente gasta 1.818 Euros por ano com a sua DA
  • Adicionalmente, a DA tem um impacto na economia de 1.477 Milhões de Euros por absentismo e perda de produtividade dos doentes e seus cuidadores.

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