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Deitar tarde retarda desenvolvimento cerebral nos jovens, diz estudo

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.

adolescentes
Pexels

Nos primeiros anos de vida, o cérebro ainda está em desenvolvimento e isto continua até à adolescência. Num novo estudo, cientistas australianos descobriram que a hora tardia a que os adolescentes costumam dormir, pode impactar o desenvolvimento cerebral, enquanto os que dormem e acordam mais cedo têm mais benefícios.

Publicada na revista científica The Journal of Child Psychology and Psychiatry, a pesquisa sobre o desenvolvimento do cérebro de adolescentes que dormem tarde foi liderado por investigadores da Universidade de Melbourne, na Austrália. Entre os estímulos para dormir mais tarde do que o normal, estão os dispositivos eletrónicos, como tablets e telemóveis.

Descobrimos que a mudança no padrão de sono aumentou o risco de ter problemas comportamentais e atrasou o desenvolvimento do cérebro no final da adolescência”, afirmaram as autoras da análise, num artigo para o site The Conversation.

Desenvolvimento do cérebro na adolescência

Para entender como o horário de ir dormir impacta o crescimento do cérebro, a equipa de cientistas acompanhou mais de 200 adolescentes, entre os 12 e 19 anos, durante sete anos. Tantos os tutores como os jovens responderam uma série de questionários sobre as preferências de sono e os níveis de bem-estar emocional e comportamental. Os questionários foram refeitos ao longo dos anos.

Em paralelo, os adolescentes passaram por duas tomografias computorizadas cranianas (TAC), com alguns anos de intervalo, para examinar, de facto, o desenvolvimento cerebral. “Concentrámo-nos em mapear as mudanças na estrutura da massa branca — o tecido conjuntivo do cérebro que permite que estes processem informações e funcionem de forma eficaz”, detalharam as autoras.

Em que medida o facto de se deitarem tarde afeta os jovens?

Após as análises, foi possível identificar que a estrutura da massa branca dos adolescentes que dormem cedo e dos que dormem tarde são diferentes. Para sermos mais específicas, a matéria branca do grupo com hábitos mais noturnos não crescia na mesma proporção que nos de hábitos diurnos.

Inclusive, os investigadores defendem a hipótese de que isto impacta o comportamento dos adolescentes. Por exemplo, os notívagos no início da adolescência (por volta dos 12 anos) eram mais propensos a ter problemas comportamentais vários anos depois. Entre as questões relacionadas, estão:

  • Maior nível de agressividade;

  • Quebra das regras com maior frequência;

  • Comportamentos antissociais;

Por outro lado, não foi possível identificar nenhuma relação negativa com problemas emocionais, como casos de ansiedade ou de mau humor.

Até certo ponto, é aceitável que um grupo de indivíduos desenvolva hábitos noturnos e se sinta mais produtivo e alerta à noite, preferindo dormir e acordar mais tarde no dia seguinte. No entanto, como adolescentes, precisam de seguir regras preestabelecidas, como acordar cedo e ir para a escola.

Neste cenário, as autoras explicaram ser possível que “a falta crónica de sono, devido a esses horários incompatíveis, pode explicar por que os adolescentes que são notívagos correm maior risco de problemas emocionais e comportamentais do que aqueles que são matinais”.

Para esta fase de desenvolvimento, o recomendável é que os hábitos sejam ajustados e adequados à rotina do adolescente e privilegiar as horas de sono.

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