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De volta às viagens: 4 dias na Ilha Terceira

Se já só pensa em férias, a Women’s Health tem uma dica: faça já a mala e reserve um voo para a Ilha Terceira.

Ilha Terceira. Créditos: Daniela Costa Teixeira

“Aqui estão seguras”, disse-nos Miguel Mendonça, guia turístico da TuriAzores, assim que nos encontramos no Aeroporto das Lajes, na Ilha Terceira. E, de facto, isso confirmou-se ao longo dos quatro dias em que tivemos na ilha.

O receio de viajar é ainda uma realidade (e compreensível), mas começam a surgir estratégias de captação de turistas nacionais e internacionais para o território português. No caso dos Açores, o arquipélago usa como bandeiras o facto de ser primeiro arquipélago do mundo com certificado de sustentabilidade – estatuto obtido em 2019 – e de, este ano, ter sido considerado um dos destinos mais seguros em toda a Europa para viajar, devido à forma como tem conseguido controlar a pandemia ao longo de todos estes meses (com altos e baixos, como é expectável) e também à boleia da exigência de um teste negativo antes da aterragem em território açoriano, teste esse que é comparticipado pelo Governo Regional dos Açores e que deve ser repetido caso a pessoa permaneça mais do que seis dias numa ou mais ilhas do arquipélago.

Nos quatro dias em que estivemos na Ilha Terceira, estivemos sempre rodeadas de muita natureza – o que é uma lufada de ar fresco passados meses de confinamento e teletrabalho -, muita caminhada e nenhuma sensação de insegurança. Respeitando todas as medidas de segurança aconselhadas pelas autoridades de saúde, foi possível viajar sem medo e aproveitar ao máximo cada momento. Eis a nossa experiência.

 

O que fazer na Ilha Terceira

Descoberta e povoada pela primeira vez no século XV, a Ilha Terceira está repleta de pontos turísticos e de pequenos detalhes históricos que fazem a viagem rica em sabedoria. E aqui surge a primeira dica: viajar com um guia turístico (mesmo que não seja a tempo inteiro) é uma mais-valia para a compreensão da riqueza histórica da região e para perceber alguns dos costumes que se mantêm e que fazem da Terceira uma ilha fiel à sua génese, mesmo com o olho no futuro mais próximo.

Esta ilha do grupo central do arquipélago dos Açores é composta por duas cidades: Angra do Heroísmo, Património Mundial da Unesco desde 1983 e repleta espaços contam pequenas narrativas sobre o desenvolvimento da região, e cidade da Praia da Vitória, mais voltada para quem procura um destino de verão (pela zona balnear e piscinas naturais), mas sempre rodeado de natureza e factos que ajudam a contar a história de Portugal.

Nos quatro dias de viagem, percorremos a ilha de uma ponta à outra, literalmente. Alugar um carro é fundamental para que se consiga chegar a todos os pontos turísticos de forma cómoda e rápida. Quanto a pontos turísticos em si, são mesmo muitos e o planeamento prévio pode ser um aliado para otimizar o tempo e as viagens. Se tiver um guia consigo é meio caminho andado para que a experiência seja melhor e mais segura.

Alguns pontos turísticos de destaque

Após um breve passeio pelo centro de Angra do Heroísmo logo no primeiro dia, a nossa viagem começou no Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara, o que foi um ótimo pontapé de saída para perceber um pouco da essência da ilha, das espécies que lá habitam e de como a natureza reina. Lá, e a propósito do Dia Mundial da Terra, plantámos três árvores e daqui a uns anos esperamos voltar para ver o quão crescidas estão.

É com a Serra de Santa Bárbara como palco que é possível avistar os Mistérios Negros, onde existe um trilho de rota circular que começa junto à lagoa do Negro e casa de apoio da Gruta do Natal.

Vista do Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara (1)
Vista do Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara

O Algar do Carvão, na freguesia de Porto Judeu, faz igualmente parte dos pontos atrativos de geoturismo da região e é muito fácil perceber o porquê, mas apenas quando lá entramos é que percebemos a sua verdadeira dimensão. Com apenas um ponto de luz natural e mais de 300 degraus, a lagoa de tonalidade azul vibrante promete surpreender. O Algar do Carvão, espaço de origem vulcânica, tem 100 metros de profundidade e permite observar a ação da natureza ao longo dos anos. A poucos minutos de distância estão as Furnas do Enxofre, que têm um pequeno passadiço que permite observar (e cheirar) sem comprometer o espaço.

Interior do Algar do Carvão (1)
Interior do Algar do Carvão

Para quem gosta de fotografar, o Miradouro da Serra do Cume é um ponto de passagem quase ‘obrigatória’, mas é preciso ter alguma sorte com a meteorologia para captar a vista completa (e nós tivemos, mesmo em pela depressão Lola). É de lá que se consegue uma das vistas mais icónicas da ilha, avistando-se a Caldeira dos Cinco Picos. É o local ideal para tirar ‘aquela’ fotografia para o feed de Instagram.

Também o Monte Brasil se destaca, pois oferece uma vista panorâmica da cidade de Angra do Heroísmo e todo o espaço está preparado para momentos de lazer e/ou desporto, sempre com um cenário verde e calmo à volta. Há um roteiro que pode ser feito a pé, espaço para refeições e muita natureza para observar. E veados, já agora. Ainda com a natureza como pano de fundo, a Lagoa das Patas fez também parte do nosso roteiro turístico. Uma breve, mas intensa caminhada, levou-nos até à cascata.

Monte Brasil

Com uma ligação histórica à já extinta caça da baleia, na Terceira é possível observar cetáceos, sendo esta também uma das bandeiras turísticas da região. O Miradouro do Raminho é um dos pontos atrativos, encontrando-se lá um antigo posto de vigia.

Depois de descobrirmos o centro histórico de Angra do Heroísmo e algumas das suas freguesias, como os Biscoitos, onde há uma piscina natural, foi tempo de visitar a cidade Praia da Vitória, um pouco mais cosmopolita, mas sempre com os tons verdes e azuis à vista. Ideal para quem procura um destino de verão, boa gastronomia e aventura.

Praia da Vitória

Onde ficar e o que comer

Situado a menos de 10 minutos a pé da parte histórica de Angra do Heroísmo, o Hotel do Caracol foi o local onde ficamos a pernoitar. Trata-se de um hotel de quatro estrelas com uma vista incrível – incrível mesmo – para o Oceano Atlântico, algo que tornou a primeira noite numa experiência incrível, pois foi possível adormecer ao som do mar agitado (obrigada, depressão Lola!). O hotel conta com um restaurante e bar, um espaço de wellness, piscina exterior e salas de reuniões e eventos.

Na Ilha Terceira, os alojamentos rurais são também um ponto forte, com destaque para a Quinta do Martelo, que recria o cenário rural açoriano, mas com muitos segredos escondidos. Imagine com apenas uma cama (apoiada em pedras), um baú e um alguidar. Pois bem, esse é o cenário inicial, mas escondido está um alojamento com cozinha, casa de banho privativa, internet e toda a comunidade que pode imaginar. Para quem pretende saltar de local em local, tanto Angra do Heroísmo como a Praia da Vitória têm uma boa oferta de alojamentos e sempre com vistas privilegiadas.

Quinta do Martelo

Quanto à gastronomia, fazemos das palavras do nosso guia Miguel as nossas: “nos Açores não há dieta”. E é bem verdade. Apesar de os alimentos usados serem de alta qualidade e ricos nutricionalmente – como o atum, o arenque, a carne de vaca e a batata-doce, por exemplo -, a culinária de lá é tipicamente portuguesa, mas com um toque extra de especiarias, como é logo notório num dos pratos típicos da ilha: a Alcatra, que comemos no restaurante Ti Choa, um espaço bem típico e acolhedor – onde não faltaram entradas como chouriço, morcela, bolinhos de milho e ainda uma das sobremesas mais tradicionais (e bombásticas!) da região, o doce de vinagre.

A Tasca das Tias, no centro histórico de Angra do Heroísmo, foi o palco de um dos nossos jantares. É um espaço mais moderno, mas fiel à matéria-prima açoriana, com destaque para o bife de atum, que é servido com batata-doce e salada de tomate e pimentos. Já o restaurante Rocha, que visitamos no terceiro dia, oferece uma vista privilegiada para o Atlântico, inclusive para o ilhéu das Cabras. Quanto à comida, foi-nos servido um belo polvo na telha acompanhado de batata-doce, mais um prato típico da região que ainda nos está a fazer salivar.

Para provar que é possível juntar a culinária tradicional com a contemporânea sem comprometer o sabor, as origens e a qualidade, o restaurante Q.B. apresenta pratos de chef com o melhor que a Ilha Terceira tem: o queijo, a carne e o peixe. Mas bem, no que diz respeito à culinária, uma coisa é certa: não faltam restaurantes e comida tradicional, incluindo-se a doçaria conventual, como a queijada Dona Amélia, um dos ex-líbris da região e que tivemos oportunidade de experimentar (em dose dupla!) logo no primeiro dia. Mas não se preocupe, com tanto para desbravar a pé, todas as calorias extra são bem-vindas.

Todo um lado histórico que vale a pena conhecer

Mesmo que o objetivo seja estar junto da natureza e ter umas férias super ativas, a visita a espaços históricos e culturais da Ilha Terceira deve fazer parte dos seus planos turísticos. Estas são as sugestões da Women’s Health:

  • Museu do VinhoCanada do Caldeiro, Biscoitos
  • Museu Casa dos Botes Baleeiros – Porto de São Mateus
  • Museu de Angra – Ladeira de São Francisco, Angra do Heroísmo
  • Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara – Estrada Regional ER5, Santa Bárbara
  • Azulart – EN1-1A 76, Nossa Senhora do Pilar
  • Centro Etnográfico da Quinta do Martelo – Canado do Martelo, São Mateus da Calheta
  • Fábrica Queijo Vaquinha (o mais antigo espaço de produção de queijo e iogurtes da Terceira) – Canada do Pilar 5, Nossa Senhora do Pilar
  • Casa Museu Vitorino NemésioSanta Cruz, Praia da Vitória

Nota: Devido à situação pandémica, alguns espaços estão com horários reduzidos ou limitados a dias.

 

A convite da Associação de Turismo dos Açores e a propósito da campanha Açores, Seguro por Natureza, a Women’s Health viajou até à Ilha Terceira. Brevemente, leia mais sobre a nossa viagem aos Açores na edição de julho-agosto da Women’s Health. Prometemos dicas para umas férias super ativas!

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