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Covid-19: 1/3 das mulheres está a adiar os planos de criar família

Esta é a principal conclusão de um estudo americano que reflete o que se está a passar neste campo. São vários os especialistas que comentam tais conclusões

em casa

Um terço das mulheres está a adiar, para data indefinida, a altura de começar a criar família. Esta é uma consequência que se distancia em muito da previsão inicialmente feita. Falamos da teoria que dizia que, com grande parte da população em quarentena, haveria um baby boom daqui a uns meses.

Assim diz um recente estudo, que conclui que 1/3 das mulheres está a adiar os planos de iniciar uma família, pela incerteza sobre quando virá o novo normal. Em suma, o estudo revelou o impacto que o novo coronavírus tem vindo a exercer, influenciando as próprias atitudes da população: um terço dos entrevistados diz que a pandemia ‘mudou completamente’ os seus planos de conceber.

A pesquisa, conduzida pela empresa financeira SoFi juntamente com a Modern Fertility, empresa de saúde reprodutiva, foi inicialmente conduzida nos Estados Unidos, entre fevereiro e abril de 2020. Desde então, os pesquisadores voltaram a entrevistar os entrevistados para perceber se houve alguma alteração nos seus planos.

Um terço das mulheres com planos mudados

Sessenta e um por cento dos entrevistados disseram que agora estão mais preocupados com a capacidade em ter filhos. Quase a metade disse que está a adiar a gravidez por medo de todo o processo associado à nova realidade. Já 41% admite sentir-se pressionado quanto as planos de ter um bebé por razões financeiras relacionadas ao surto.

Do outro lado do Atlântico, também os casais britânicos parecem repensar os seus planos de conceção. No final de 2019, a designer gráfica Kirsty e o namorado Nick (nomes fictícios) decidiram que 2020 seria o ano em que tentariam um bebé.

“Não poderíamos sobreviver sem o salário de Nick”

“Faço 35 anos em setembro e sinto que precisamos de continuar a tentar, principalmente porque vi amigos a lutar bastante para conseguir conceber”, diz Kirsty. Mas agora o meu namorado foi dispensado e o nosso futuro ficou incerto. O meu trabalho está seguro, para já, mas sei que não terei apoio financeiro na maternidade, por isso é que não poderíamos sobreviver sem o salário de Nick.

“Também não consigo imaginar um bebé no nosso pequeno apartamento. Mas os nossos planos de comprar um espaço maior ficaram suspensos por tempo indeterminado. Trazer um bebé para um mundo tão desconhecido parece um enorme risco agora. Costuma-se dizer que não existe o momento ‘certo’ para ter um bebé. Mas com a Covid-19 a provar ser a doença da incerteza e com o mundo inteiro em estado de choque, é fácil concluir que esta será a hora errada para o tentar”.

Não é a primeira vez que um problema global influencia a procriação

Contudo, “é provável que as consequências imediatas e inevitáveis ​​do novo coronavírus tenham tido efeitos generalizados”. Assim diz a psicóloga Becky Spelman, da Clínica de Terapia Privada.

“O confinamento pode ter gerado tensão e angústia num relacionamento anteriormente feliz. Tal força as pessoas a reavaliar a sua decisão de se tornar pais – ou pelo menos adiar”, diz. Lucy Atcheson, da Counseling Psychologist London, concorda e por isso tem dando apoio online a muitos clientes cujos planos de ter um bebé foram descarrilados. “Com tudo tão incerto, e muitos de nós a sentir que perdemos o controlo das nossas vidas, muitas relutam em acrescentar mais incerteza à própria vida”, refere a especialista. “O processo de engravidar e ter um bebé é uma grande incógnita. Além disso, as tensões financeiras que acompanham a paternidade são um impedimento para muitos”.

E se já estiver grávida?

Abraçar o desconhecido é, agora, a única opção para mulheres como a dentista e Surena. A entrevista tem 33 anos e espera o primeiro filho, que se prevê nascer em agosto. “Antes do novo coronavírus, o meu corpo parecia-me estranho, agora o mundo inteiro parece estranho”, admite. Tive que limitar o meu consumo de notícias e comecei a meditar para me sentir um pouco mais ancorada”. Surena recebe os seus exames de maternidade por telefone, e ainda há grandes pontos de interrogação sobre se o marido poderá estar com ela durante o nascimento do bebé.

“Eu preocupo-me muito facilmente”, explica. “Entro em pânico ao pensar como será maio, como será junho? Que tipo de mundo é este para trazer um bebé? Depois, há as preocupações com dinheiro. A prática em que trabalho está encerrada e não sei por quanto tempo serei paga. Mas se reabrir, estou preocupada em ficar exposto ao vírus. Não tenho ideia de como será o futuro”.

Esperança, mesmo com incerteza

Para todos nós, o impacto psicológico da incerteza prolongada provavelmente será significativo e as repercussões para a saúde mental serão complexas e duradouras. Mas há esperança, mesmo na escuridão “Antes de tudo isto acontecer, muitos de nós estava a trabalhar demasiado, sentia-se infeliz ou desconectado de tudo.

A pandemia obrigou-nos a parar e decidir o que é mesmo importante para as nossas vidas”, diz Atcheson. “Com mais tempo e liberdade do trabalho, os nossos pensamentos podem ficar claros e, como resultado, alguns relacionamentos ficarão muito mais fortes”.

Atcheson acredita que tudo isto pode acelerar a decisão de tentar um bebé para alguns casais. Para aqueles que viram como frustrada a decisão de tentar aumentar a família, é provável que retomem a decisão mais tarde; fa-lo-ão com uma postura mais determinada do que nunca. Ainda, esta crise pode ajudar a esclarecer exatamente o quanto alguém quer uma família e definir aquilo que se está disposto a fazer para realizar tal sonho”, alega o especialista.

Artigo via Women’s Health Americana

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