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Corredoras de elite têm melhor desempenho atlético após a gravidez, aponta estudo

Um estudo sobre a relação entre desempenho atlético e gravidez concluiu que corredores de elite melhoraram o seu desempenho em 46% depois de serem mães.

Allyson Felix, atleta

Quando Allyson Felix entrou na pista nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o público que assistia, de todas as partes do mundo, torcia pela americana de 35 anos. Como uma das atletas mais condecoradas no mundo do desporto, a carreira desta velocista é referência na área há muito tempo; Mas o que tornou a aparição de Felix em Tóquio ainda mais especial foi o facto de ela ter sido mãe – e ter passado por uma experiência traumática de parto. Ao cruzar a meta a linha de chegada para conquistar o bronze nos 400m, Felix fez aquilo que fez em toda a sua carreira: desafiou as expectativas e mostrou ao mundo que, apesar das mudanças com as quais se lida durante a gravidez e a maternidade precoce, é possível superar-se.

Agora, parece que a ciência vem confirmar o que Felix sabia há muito tempo. Foi agora publicado no Medicine & Science in Sports & Exercise Journal, um estudo que procurou analisar a relação entre o treino e o desempenho de 42 corredoras de elite durante e após a gravidez.

O foco deste estudo foi procurar entender melhor como a gravidez altera a performance das atletas, sendo apontado como o primeiro estudo deste tipo sobre o tema. Segundo as declarações dos autores, “não temos conhecimento de nenhum estudo anterior com um número significativo de participantes que tenha investigado sistematica e estatisticamente os resultados quantitativos de desempenho antes e depois da gravidez”.

Barreiras ao estudo

Houve algumas limitações para a pesquisa realizada. As participantes eram todas atletas de elite – não corredoras amadoras – com tempos equivalentes a uma maratona de 2:46 ou mais rápido em sprints de 1500m ou mais. Os autores receberam uma pesquisa de 139 perguntas que detalhava pormenores sobre o treino durante e após a gravidez. Além disso, cada participante partilhou os registos dos seus treinos. De notar que 35 das 42 atletas pesquisadas tiveram os seus melhores tempos de desempenho entre 1 a 3 anos antes do nascimento, segundo o site da World Athletics. Estes foram os tempos que os autores do estudo compararam com os seus resultados pós-parto.

De acordo com o estudo, as atletas “que pretendiam voltar à competição de alto nível fizeram-no num nível de desempenho estatisticamente semelhante ao do período de 1 a 3 anos pós-gravidez”. Dessas atletas, 46% melhoraram o seu desempenho pós-gravidez.

Resultados notáveis

É um resultado notável, principalmente quando se considera as mudanças no corpo que ocorrem durante a gravidez e as limitações que tal impõe ao treino. Mas das atletas de elite estudadas, o mais notável foi a comparação do seu desempenho a longo prazo. Muitas ficaram realmente, e sem que fosse necessário retomar o treino ao ritmo a que estavam habituadas antes da gravidez. Quando engravidaram, 57% relataram ter diminuído a intensidade dos treinos em 24%. Tal equive a passar de uma média de 9 treinos por semana para 5.

Após a gravidez, as atletas retomaram os treinos para uma média de 6 corridas por semana e 3 treinos de força, mas com menos intensidade, antes de atingir 80% das cargas com que treinavam na pré-gravidez.

Em termos de desempenho, 60% das participantes planeava recuperar os níveis pré-gravidez ou superiores. As mudanças não foram imediatas, é claro, mas o certo é que quase metade das atletas em estudo (46%) apresentaram menores pontuações de desempenho entre 1 a 2 anos após a gravidez, refere o estudo.

As conclusões do estudo

A maternidade é uma fase desafiante para a vida das mulheres, mas não impede, de todo, que a mulher continue a superar-se, desafiar-se e a ser a sua melhor versão. O estudo aqui referido não pretende incentivar à pressão de se retomar os treinos em tempo recorde. A mensagem é a de que qualquer mulher, mesmo uma atleta de elite que dedique a sua vida ao desporto, não tem de prescindir de ser mãe, nem da sua carreira em detrimento de qualquer que seja a sua escolha.

O corpo humano, quando cuidado com a devida alimentação, treino e descanso, é capaz de se recuperar e manter saudável (e surpreender-nos positivamente) em inúmeras situações, independentemente dos desafios a que seja sujeito.

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