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Como a depilação íntima se reflete na vida sexual

Será que quanto menos pelos existirem, maior é o prazer?

depilação íntima

Para uma mulher, fazer a depilação nas pernas e nas axilas, demonstra higiene e cuidado. Já na zona da virilha e região íntima, pode significar sedução. Com a ajuda de profissionais especializados, este tipo de depilação pode ganhar mais poder. Ao contrário de que se possa pensar, os pelos – ou a falta deles – podem jogar a seu favor.

Existem vários tipos de depilação íntima feminina, mas, todos eles, influenciam na saúde, na proteção, na higiene, no conforto, na autoestima… e a lista parece que não acaba!

Sabemos que o tempo em que a mulher ficava ao natural com todos os seus pelos preservados, seja das axilas ou os púbicos, está um pouco esquecido.

A depilação íntima passou por uma mutação ao longo dos anos. Houve uma época em que deixar os pelos crescerem ao natural fazia sucesso, mas noutro período viu-se a necessidade de ter de os aparar.

Depois, a moda passou a ser aparar as laterais e deixar apenas um tufo só na região central. Mas a rejeição por pelos começou a aparecer e com isso passou a utilizar-se muito uma espécie de “bigodinho”, apenas com um fio no centro.

Mais recentemente, os pelos começaram a ser vistos como anti-higiénicos e a moda que predomina até hoje é a vagina lisinha, sem pelos.

Apesar de uma das opções mais procuradas pelas mulheres ser a remoção total dos pelos, esta técnica não é a mais aconselhada pelos profissionais de saúde já que pode prejudicar a saúde genital.

Na realidade, os pelos púbicos têm uma função importante na anatomia, pois “servem para proteger os órgãos sexuais de micro-organismos que podem causar irritação na pele ou até mesmo infeções”, tal como explica a psicóloga clínica, psicoterapeuta e sexóloga, Marta Crawford.

Mas todos estes aspetos dependem do método depilatório que se escolhe. Para Irina Ramilo, médica ginecologista e obstetra, se a remoção dos pelos for feita, por exemplo, com gilete, “isso implica que haja pelo cortado e que possa sangrar, podendo, eventualmente, surgir uma porta de entrada para infeções ou doenças sexualmente transmissíveis, apesar de não existir estudos que liguem estes dois aspetos”.

“O risco de uma depilação total é poder haver mais atrito. O pelo está lá para haver uma forma de proteção e de ser um obstáculo ao atrito e, assim, não haver tanta irritação”, acrescenta a médica.

No entanto, apesar das complicações que podem advertir da depilação total, há quem se pergunte se, desta forma, se obtém um maior prazer sexual.

Segundo Marta Crawford “não há nada que nos diga que a depilação total proporciona mais prazer durante o ato sexual”, mas, há que reconhecer que o contacto pele a pele provoca estímulos sexuais maiores, desde que “a zona depilada, de ambas as partes, esteja macia, e não ‘pique’ ou ‘raspe’ a outra pessoa”.

A psicóloga admite que as mulheres ficam mais à vontade com a área íntima depilada e, consequentemente, ficam mais excitadas. E, nalgumas mulheres, o não ter a depilação do modo que consideram ser o adequado pode ser um fator inibidor da sexualidade.

Para além disso, a especialista afirma que, a depilação total pode “facilitar a prática de sexo oral”, já que, não havendo pelos, “perde-se o estigma de poderem existir cheiros desagradáveis, ou falta de higiene”.

Um estudo recente feito pela Universidade Católica de Lovaina em Flandres, na Bélgica, analisou os dados de um inquérito feito a mais de quatro mil homens e mulheres belgas, todos com mais de 15 anos. Os participantes tiveram de responder a várias perguntas, incluindo sobre as razões que os levavam a remover os pelos púbicos (ou não).

Descobriu-se que 75% das mulheres e 39% dos homens opta por fazer a depilação íntima por questões de conforto durante o sexo oral. 67% das mulheres afirmam que o fazem porque se sentem mais femininas, 63% alega gostar da sensação de suavidade, e 62% tem este hábito porque o parceiro gosta.

Já as mulheres que optam por não fazer a depilação dizem que a sua escolha se baseia, principalmente, no desconforto dos efeitos secundários, como a comichão e os pelos encravados, e na preferência do parceiro.

Existem ainda algumas mulheres que preferem deixar um formato triangular apenas no centro e bem cavado e outras depilam tudo, tanto na área externa, quanto interna e até mesmo os pelos do ânus para facilitar o sexo anal.

Mas há ainda mais uma opção: há quem goste de personalizar a área com algum desenho, como um coração, estrela, flor, borboleta ou outras marcas.

Porém, todos estes aspetos dependem apenas de um sentimento: confiança.

Para Irina Ramilo “a mulher tem de experimentar várias opções e perceber os tipos de repercussão que isso pode ter no que diz respeito à sua fisiologia. Caso a mulher se sinta bem com a depilação total, quem sou eu para dizer para não fazer?”.

No entanto a médica volta a alertar para a escolha do método depilatório a ser usado: “não recomendo o uso da gilete. No caso de optarem por métodos como o laser ou a luz pulsada, recomendo que façam ao que estiver em excesso, mas deixem alguma coisa. Se quiserem fazer a depilação total, optem pela cera, já que traz menos sintomas associados e menos problemas”.

Segundo Marta Crawford, “a depilação na zona íntima é algo muito relativo e depende muito do gosto de cada uma. Se a mulher for confiante no seu próprio corpo, não se vai estar a preocupar se tem mais ou menos pelos. Vai sim explorar a sua sexualidade com aquilo que tem”.

Atualmente, várias feministas bem conhecidas, já partilham fotografias nas redes sociais onde se verifica que não depilam as axilas. As feministas mais radicais preferem deixar tudo como veio ao mundo e manter os pelos do corpo inteiro.

Esta atitude radical pode gerar controvérsias e polémica, mas a sexóloga acredita que “muitas mulheres regem-se por modas, e esta, que mostra a confiança no próprio corpo, parece estar a voltar”.

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