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Como colocar fim ao tabu da depressão perinatal

Não pense que é diferente de todas as outras mães por se sentir mais triste ou perdida.

depressão

Esta breve distinção permite antever que a depressão perinatal seja algo difícil de se diagnosticar, mas importa derrubar o estigma da doença mental que não poucas vezes leva a que se ignore um problema grave. “Não é fácil estar triste, especialmente quando todos pensam que se está feliz por estar grávida”, reconhece Cristina Sousa Ferreira, psicóloga na Oficina de Psicologia, em Lisboa, que diz à Women’s Health que o problema “afeta entre 10% e 13% das mulheres grávidas” de todo o mundo.

Quando a mulher engravida, “há uma fase de adaptação [principalmente no primeiro trimestre] a todas as mudanças inerentes” que levam algum tempo a ser interiorizadas. “Isto pode gerar um conflito interior e causar problemas maiores”, diz Maria do Céu Santo, ginecologista e obstetra na Clínica São João de Deus, em Lisboa.

Apesar de o risco ser maior no caso de mulheres com um histórico de depressão, de abuso de substâncias, um histórico familiar de doenças mentais ou de apoio inadequado, o problema estende-se a vários casos, independentemente da idade ou da fase da vida da mulher. A verdade é que “não se sabe exatamente o que causa a depressão perinatal”, admite a psicóloga, mas “as hormonas aos saltos e o stress de uma nova parentalidade podem ser um trigger para tais sintomas”. Em todo o caso, o que não pode haver é vergonha de pedir ajuda – e isto é válido para qualquer pessoa, em qualquer momento da vida.

“As grávidas precisam de um apoio maior, sem tabus de falar sobre o que quer que seja”, algo que felizmente se verifica cada vez mais, diz Maria do Céu Santo. “Hoje, as mulheres vão mais às consultas, dizem que têm insónias ou que se sentem irritadas e não se inibem de falar sobre estes temas”. Há também, conclui, “este apoio psicológico que leva a que a equipa seja suficientemente multidisciplinar para garantir todo o apoio tanto na gravidez como no pós-parto”.

A psicóloga Cristina Sousa Ferreira diz que “a depressão não tratada ou desvalorizada pode levar a parto prematuro, baixo peso do bebé ao nascer, possível diabetes gestacional e, em casos graves, atrasos no desenvolvimento do bebé”. Além disso, continua, “a depressão e a ansiedade durante a gravidez podem piorar e continuar no período pós-parto”.

Apresentado todo este cenário, “a boa notícia é que é possível prevenir e tratar a depressão”, garante a psicóloga. Para tal, a comunidade médica aponta várias abordagens não medicamentosas, como é o caso da psicoterapia, da acupuntura e da meditação. Ainda assim, se os sintomas forem mais graves, “o médico psiquiatra pode necessitar de introduzir antidepressivos”.

Sobre a sua toma, Cristina Ferreira diz ser inconclusiva a pesquisa sobre os efeitos a longo prazo de antidepressivos durante a gravidez, embora haja de facto “algumas evidências de que os recém-nascidos expostos a estes medicamentos no útero possam apresentar sintomas de abstinência a curto prazo”. Mas há muitos médicos que defendem que tal não deve impedir a mulher de tomar esses medicamentos, pois “os riscos de depressão não tratada são geralmente maiores do que tomar um antidepressivo”, que deve apenas ser administrado sob aconselhamento médico especializado, mesmo no caso de produtos naturais. Maria do Céu Santos é um dos médicos que defendem que sim, a mulher pode tomar antidepressivos durante a gravidez.

Apesar disso, sabe serem frequentes os casos em que “a mulher tem medo de tomar qualquer medicação que possa prejudicar o bebé de alguma forma”. Mas parar a toma do medicamento pode ser mais prejudicial – seja antidepressivo ou outro. Contra isto, o correto será deixar que seja o médico a avaliar se a toma de medicamentos é segura ou se, por outro lado, a mulher deve optar por uma alternativa que garanta a saúde de ambos a todos os níveis.

A ginecologista e obstetra alega ainda a necessidade de perceber, por parte dos médicos, se a grávida tem alguma patologia que a torne mais suscetível a desenvolver depressão durante a gravidez, um cuidado que é garantido pela comunicação feita entre a equipa multidisciplinar.

Por parte da mulher nada como conhecer o problema e apostar na prevenção, que trará inevitavelmente consequências positivas a todas as vertentes. Descanso, tempo ao ar livre, alimentação saudável, exercício físico e falar abertamente do que se sente são, para a psicóloga, os pilares para uma gravidez segura e feliz. Não serão estes alicerces a base para uma vida melhor e com aposta na prevenção em qualquer momento da vida da mulher?

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