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É por isto que tem de comer como os seus antepassados

Apesar de haver uma série de dietas novas, a dieta do paleolítico vai buscar as heranças dos nossos antepassados, antes da revolução agrícola.

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No mundo atual, a preocupação com o corpo e mesmo com a saúde são constantes do dia-a-dia. Apesar de haver uma série de novas dietas, a do paleolítico vai buscar as heranças dos nossos antepassados, enquanto seres humanos, antes da revolução agrícola.

Com o início do cultivo da terra dá-se uma mudança drástica na alimentação do ser humano, que passa pela agricultura e pela criação de animais. Antes, o regime alimentar era constituído por plantas e pela caça de animais selvagens. “Com a revolução agrícola, a disponibilidade de comida para a humanidade aumentou, mas essa comida extra não proporcionou uma alimentação mais saudável”, explica a naturopata Michelle Bond.

Apesar de não haver registos sobre a alimentação antes da agricultura, através de pesquisas é possível entender o que não se comia. Falamos de “produtos industrializados e refinados, produtos com adoçantes artificiais, entre outros. Mesmo os cereais representavam uma fração muito pequena da alimentação antes da revolução agrícola”, continua a especialista.

Para a nutricionista Ana Pabla, a dieta do paleolítico trata-se de “difundir um estilo de vida alternativo, mais saudável e muito mais lógico do ponto de vista evolutivo. No fundo, é um regime alimentar assente em alimentos que a natureza nos oferece, que são compatíveis com a nossa condição genética”.

 

Afinal, o que come quem segue esta dieta?

Para a nutricionista Rita Lima, esta é uma dieta que assenta numa “base científica interessante e, apesar de ter alguns inconvenientes, apresenta também benefícios, que, apesar de nem todos terem evidência científica suficiente, devem ser considerados”.

A especialista acrescenta que, de um “modo geral, a dieta do paleolítico restringe o consumo de laticínios, leguminosas, cereais e todo e qualquer tipo de alimentos processados, como margarinas e cremes vegetais, bolachas, cereais prontos a comer, bolos, entre outros”.

Na prática, este é um regime que assenta no consumo de alimentos altamente proteicos e ricos em fibra. O “ómega 3 proveniente de frutos oleaginosos como nozes, amêndoas e avelãs, constituem algumas das vantagens do ponto de vista nutricional” desta alimentação. Para Michelle Bond “deve-se optar pelos produtos de animais criados ao ar livre à base de pasto, preferencialmente, de origem biológica”.

Quanto à carne, não se preocupe, não tem de caçá-la para poder comer. Deve é optar por “cortes mais gordos onde se obtém a gordura natural da própria carne. No que diz respeito à gordura, nesta vertente consome-se mais, pois é este macronutriente que irá deixar uma pessoa saciada”, segundo aconselha a naturopata.

 

Esqueça a contagem de calorias

Na dieta do paleolítico, não precisa de contar as calorias nem tem de comer uma quantidade específica de vezes ao dia. Aqui, o que acontece é que come apenas quando sente fome.

Para a nutricionista Ana Pabla, esta é uma das grandes vantagens deste regime alimentar. “Como é rico em hidratos de carbono e tem pouco impacto a nível da insulina, conseguimos ficar muito mais afinados no que toca ao nosso mecanismo natural de saciedade. Não têm de fazer refeições a determinadas horas, nem meter alarmes para comer. A pessoa come, fica satisfeita e volta a comer quando tem fome“.

 

É segura e nutricionalmente adequada?

Segundo Michelle Bond, se a pessoa fizer uma alimentação variada deve conseguir obter o balanço nutricional indicado e rico em todos os nutrientes essenciais. “Por isso, é importante variar entre a proteína animal, as frutas, os vegetais, as oleaginosas e as gorduras. Aqui, aplica-se a regra de comer os produtos da época”.

No entanto, Rita Lima adverte para o facto de poderem surgir “carências nutricionais provocadas pela exclusão de grupos alimentares importantes, como laticínios, as leguminosas e cereais integrais”. Entre os riscos da exclusão destes alimentos encontram-se problemas de saúde como a “sensação de cansaço e a falta de vitalidade”. Em particular, podem ficar em falta no organismo algumas vitaminas do complexo B, vitamina C e minerais e o cálcio.

O que a dieta do paleolítico sugere é a ingestão de hidratos através de “vegetais de folhas verdes, por exemplo, que têm fibra insolúvel, portanto, levam mais tempo para serem digeridos e a entrar na nossa corrente sanguínea. Como resultado, o açúcar é libertado lentamente, mantendo os nossos níveis de energia estáveis”, explica a naturopata.

Continua ainda ao dizer que, nesta situação, evitam-se hidratos de carbono de fácil digestão como o pão, as massas, a cerveja e o milho. “Esses alimentos têm a desvantagem de aumentar rapidamente o nível de açúcar no sangue e [provocam] também uma queda bastante drástica. Isso é o que acontece quando temos aquela sensação de ‘moleza’ após uma refeição com arroz ou massa por exemplo”.

 

Todos podemos seguir a dieta dos nossos antepassados?

Apesar de estar indicada a todos os grupos populacionais, é “especialmente indicada para celíacos, pois evitam-se os alimentos com glúten: os cereais. Se uma pessoa for intolerante à lactose, basta evitar os laticínios”, esclarece Michelle Bond.

Caso seja vegetariana ou até vegana, esta dieta também é para si. Apenas tem de seguir a versão mais abrangente deste conceito, optando por comer leguminosas, alimentos que assumem uma importância extrema quando não se come alimentos derivados de animais.

Tendencialmente, as pessoas seguem este conceito exaustivamente, mas a eliminação das leguminosas e dos grãos causa uma série de problemas já que estes produtos promovem descidas na mortalidade, adianta Rita Lima.

 

Vantagens e desvantagens, na prática

O maior benefício da dieta do paleolítico é “deixar de comer produtos industrializados e assim prevenir doenças ocidentais como a obesidade, cancro, doenças cardiovasculares e diabetes”. Pode ser entendido como um estilo de vida, onde existe uma maior consciencialização sobre a origem dos produtos que comemos e do meio ambiente.

“O elevado consumo de hortícolas e produtos naturais, ou seja, não processados e a exclusão quase completa de açúcares simples e gorduras traduz-se em benefícios inevitáveis para a saúde”, acrescenta Rita Lima.

Ao ser uma dieta composta por alimentos ricos em antioxidantes, promete melhorar o bem-estar geral da pessoa e ainda prevenir diversas doenças. Michelle Bond destaca que “os antioxidantes combatem os radicais livres e previnem o aparecimento de infeções e doenças”. Vai sentir-se com mais energia, mais clareza mental, uma autoestima maior e ainda mais bem-disposta, já que vai acontecer a “estabilização dos níveis de açúcar no sangue, evitando grandes quebras de energia”.

É, no entanto, preciso ter cuidado para não comer demasiada proteína animal, o principal erro para a naturopata. Assim, esta alimentação deve basear-se nos vegetais, dado que uma dieta demasiado rica em proteína pode causar problemas renais, ou “aumentar a probabilidade de desenvolver cancro de mama e do cólon”.

 

Perda de peso e custos extra

Note que esta é uma dieta aconselhada para a perda de peso, já que recusa os açúcares e farinhas, alguns dos principais causadores de obesidade. Opte sempre por alimentos da época e de produção biológica.

“A longo prazo, todas as dietas que promovem uma restrição alimentar adequada atingem resultados idênticos”, explica a nutricionista Rita Lima. No entanto, a chave para o sucesso prende-se com a capacidade de manter o regime alimentar ao longo do tempo.

Vai também notar que este é um estilo de vida em que a alimentação lhe pode sair mais cara. Isto porque os produtos naturais são mais dispendiosos. No entanto, a longo prazo, para Michelle Bond, “seguir esta dieta é mais barato, pois iremos poupar em custos relacionados com a saúde, pois vamos prevenir doenças que são causadas ou agravadas pela má alimentação”.

Tomar o pequeno-almoço ou o lanche num café pode ser um desafio, “uma vez que o que está disponível nos cafés e pastelarias de Portugal são produtos a base de farinha e açúcar refinados: pães e bolos”. Para as restantes refeições a dificuldade é mais reduzida, porque na “maioria dos restaurantes consegue-se comer proteína animal, vegetais, sopa e fruta”, conclui Michelle Bond.

 


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