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Catarina Gouveia faz 34 anos. Recorde a sua entrevista à WH

Mente sã em corpo são. Catarina Gouveia é a prova de que somos um todo e que temos de cuidar de nós de dentro para fora.

Catarina Gouveia é um dos nomes mais sonantes das redes sociais no que diz respeito ao estilo de vida saudável. Mas já admitiu que nem sempre foi assim, não é verdade?

É verdade. Apesar de eu ter tido uma infância muito feliz no que toca a atividade física, pratiquei natação e ténis e também dancei; quando fui para a faculdade tornou-se incompatível. Na altura fui de Santa Maria da Feira para Coimbra e acabei por não dar continuidade a qualquer atividade física. Nessa altura da faculdade, era tudo muito à base do fast-food, das lasanhas aquecidas no micro-ondas, das comidas feitas o mais rápido possível, tudo muito industrializado e processado. A balança começou a aumentar, nada de exercício físico, muitas horas sentada. Foram uns oito quilos em muito pouco tempo.

E isso afetava-a?

Na altura não era uma preocupação, mas, no final da minha licenciatura queria encontrar outros caminhos e a paixão pela representação levou-me ao casting dos Morangos com Açúcar e tive sorte de começar a representar. Mais ou menos cinco anos depois, durante uma novela, tive uma crise de acne tardia. Tinha uma pele maravilhosa. Foi uma acne que me abalou imenso.

E foi aí que decidiu mudar. O que custou?

Acho que foi o facto de perceber que tinha de mudar tudo. Na altura a minha naturopata pediu-me uma lista do que eu comia diariamente e quando percebi que estava quase tudo errado pensei: ‘a mudança vai ter de ser mesmo radical’. Mas esta mudança radical aconteceu de forma gradual, foi step by step, um dia de cada vez, retirando certas coisas e sem mudar tudo de repetente. Quando queremos mudar logo tudo, não se consegue um objetivo a longo prazo.

Sinto-me cheia de saúde. Vou para o ginásio para transpirar, para me sentir viva

E isso mudou a forma de ver a alimentação?

Sim, fez-me questionar o porquê de tanta gente comer se faz tão mal e o porquê de ninguém falar sobre isto. Foi difícil tentar também perceber o porquê de eu ter demorado tanto tempo a chegar lá.

Além da ajuda de uma naturopata, que mais fez durante a mudança?

Na altura estava a trabalhar com a minha imagem, era super difícil sentir até a apreciação de outras pessoas. Quando temos a pele, que é o nosso órgão exposto, completamente em obras, torna-se muito difícil. Lembro-me que fiquei obcecada, que lia livros sobre nutrição, via documentários e procurava artigos científicos. Para além de tudo isto, comecei a experimentar comigo mesma e passado uns tempos comecei a ver os efeitos de uma alimentação mais limpa, de alguma disciplina, e a minha pele ficou logo outra.

Mas fez essa mudança ao mesmo tempo de um tratamento dermatológico?

Não precisei. Na altura, a minha naturopata disse que eu estava totalmente inflamada e foi até na filosofia holística da naturopatia que me senti integrada. Identifiquei-me logo e tudo aquilo fazia sentido para mim.

Aos poucos excluiu alguns alimentos, incluindo a carne. Já pensou em ser vegana?

Deixar de comer carne nem foi tanto pela acne, aquilo que senti mesmo que fez maior diferença na acne foram os laticínios, os industrializados, como os cereais, que têm doses muito grandes de açúcar e gorduras hidrogenadas, fritos, farinhas brancas. Estes foram os alimentos que cortei por completo por causa da acne. Quanto às carnes vermelhas, como comecei a ler sobre alimentação, comecei a ler sobre a indústria da carne e do peixe e, para mim, fez sentido deixar de comer carne e não me custou. Como peixes e ovos, mas não tenho como objetivo um dia ser vegana, até porque não é apenas por aquilo que comes, é todo um estilo de vida. Admiro muito quem é.

Não faz sentido investir no corpo se não investir na mente e no espírito

E há espaço para deslizes?

Há, sim [risos]. E faço questão de partilhar isso nas redes sociais. O quadrado de chocolate, daqueles com mais de 70% de cacau, é diário. De vez em quando gosto de comer uma boa pizza, daquelas feitas artesanalmente, com um molho de tomate caseiro e biológico, daqueles intensos e saborosos. Se me apetece uma sobremesa, como, mas a verdade é que quando começamos com uma alimentação mais saudável acabamos por perder o apetite por determinadas coisas, começamos a pensar se nos vai nutrir ou se nos vai intoxicar. Comia imenso fast-food, mas agora não há sequer vontade.

É uma questão de equilíbrio e sem fundamentalismos, é isso?

Sim, sem fundamentalismo. Estamos numa fase em que se confunde o fundamentalismo com aquilo que a pessoa acha que é o melhor para si. Já me aconteceu ir uma festa em que há um bolo que não me dá vontade de comer, ou porque não gosto ou porque sei que não me vai cair bem, mas os outros olham para isso como fundamentalismo. Mas não é, é respeito por mim própria, é uma consciência pelo meu corpo.

Apesar de mostrar o que resulta consigo, acaba por ser uma inspiração para as pessoas. Como lida com essa responsabilidade?

Lido de uma forma muito leve e muito ligeira, até para ter respeito para comigo mesma e para quem me segue. O maior intuito é que percebam que eu só partilho o que me faz bem e o que funciona comigo e jamais partilho com uma intenção presunçosa ou de imposição. Tem sempre uma base que é o amor e partilho sempre na esperança que ajude a melhorar alguém. E é só dessa forma que faço as minhas partilhas.

Catarina Gouveia
Fotografia de João Portugal
Pondera muito antes de publicar algo? Em que sentido?

Sim, pondero muito, no sentido de perceber se o que vou partilhar vai acrescentar algo, se está a ser partilhado por um impulso, se daqui a um ano me vou arrepender. Penso se faz sentido no futuro. É importante perceber se vai trazer algo de novo ou se vai magoar alguém.

Há pouco falava da acne tardia. Essa fase mexeu muito com a sua autoestima?

Mexia muito comigo. Saiba que quando chegava ao estúdio [de gravação] a acne era indisfarçável. Só o passar o pincel doía, tentava não cumprimentar as pessoas porque o toque doía. Depois quando percebi que isso interferia a nível de trabalho, que tinha de haver uma iluminação diferente para me tentar proteger, que quando ia na rua e as pessoas comentam a minha pele sentia-me muito desconfortável.

Como é que lidou com essa fase?

Foi complicado. Estava numa novela em que a minha incidência era muito forte e ir à rua não era algo que me apetecesse muito, ficava mais no meu cantinho, não estava a saber lidar tão bem com aquilo. Mas hoje penso que ainda bem que aconteceu.

Acredito que agora olhe mais para o interior do que para o exterior…

Sem dúvida, foi tudo um conjunto de aprendizagens e foi um despertar de uma nova consciência. Saberia lidar agora de uma forma diferente, pois nesta fase da minha vida sei que o que dou a mim própria é o melhor que posso dar, sei que me trato com respeito e que tento sempre procurar as melhores opções para mim, tanto a nível físico, como mental e espiritual. Se surgir sei que é algo que não posso controlar porque me estou a tratar bem.

O facto de treinar diariamente ajuda a que se sinta bem com o seu próprio corpo?

Ajuda não tanto na aparência, mas sinto-me com mais energia, com muito mais boa disposição, com mais aptidão física. Essa é grande mais-valia, o sentir-me cheia de saúde e é isso o que me vicia no exercício, não é de todo o efeito estético, mas é aquela vida que pulsa dentro de nós, aquela sensação de quando acabamos um treino e estamos encharcadas de suor e dizemos ‘estou viva, cheia de energia’. Isso faz-me ir ao ginásio todos os dias, é uma felicidade, uma vida que transborda em mim. Costumo rotular os treinos como uma terapia. Entro no ginásio, ponho os fones e não penso em mais nada, estou ali e sinto-me super viva.

É fácil conciliar a rotina de treino no dia-a-dia?

É muito difícil e quando estou a gravar não treino tanto como gostaria. Entramos às 8h e saímos mais ou menos às 20h e ainda há que decorar textos. É muito exigente e para mim é muito difícil treinar depois do trabalho. Mas, lá está, já experimentei não fazer exercício quando estou com um grande ritmo de trabalho e sinto-me afetada, fico com menos energia, sinto que me faz falta. Treinar é um hábito, tenho disciplina para que haja sempre espaço para treinar.

Estamos numa fase em que se confunde o fundamentalismo com aquilo que a pessoa acha que é o melhor para si

A Catarina traça objetivos ou deixa o treino fluir?

É exatamente isso. É uma terapia que vou deixando fluir. Sinto-me cheia de saúde, vou para o ginásio para transpirar, para me sentir viva, mas não tenho um foco. Quero sentir-me bem comigo, o meu corpo é o meu instrumento de trabalho, mas independentemente disso, é importante sentimo-nos bem na nossa pele.

Como é o seu treino?

Gosto de musculação e tento dividir os treinos, um dia mais focado nas pernas, outro mais focado nos membros superiores, um em que treino mais o abdominal. Treino sozinha, levo os fones e levo na cabeça mais ou menos os exercícios que quero fazer.

Catarina Gouveia
Fotografia de João Portugal
E que música?

Ui [risos]. Isso depende muito do mood do dia, mas gosto de ouvir um pouco de tudo.

Além da alimentação e do treino, também fala do bem-estar mental e emocional. Como treina o equilíbrio entre ambos?

Acho que uma coisa levou à outra. Os livros que comecei a ler sobre alimentação falavam muito sobre este lado de que só vamos mudar a nossa perspetiva sobre o alimento quando mudarmos as nossas crenças e o nosso pensamento, é quase o respeito por nós próprias com aquilo que comemos, que pensamos, como nos comportamos. Foi aí que comecei a interessar-me mais sobre este facto de que somos um conjunto de dons que estão todos interligados e que não existem de forma separada.

“O meu lado físico está ligado ao meu lado emocional e o meu lado emocional está ligado ao espiritual e que está tudo ligado num só”

E comecei a perceber até que uma doença física pode mexer com a pessoa emocionalmente e alguma fase da vida em que não se esteja tão bem pode-se começar a ter sintomas físicos. Isto é a prova mais evidente de que somos um conjunto destas componentes. Não faz sentido investir no corpo se não investir na mente e no espírito.

No seu Instagram partilha quase todos os dias o pôr-do-sol. Que significado tem?

É das coisas que mais me enche. Estar na natureza, seja no nascer do sol ou no pôr-do-sol. É muito importante para mim, sinto-me relaxada e energizada. Mesmo nas gravações em estúdio, se puder vir cá fora e estar um bocadinho ao sol ou pôr os pés na relva, a descansar e a respirar é tranquilizador.

Catarina Gouveia
Fotografia de João Portugal
Que outros momentos preza?

O pôr-do-sol tem um efeito em mim que não sei explicar, sempre fui muito apaixonada pelo pôr-do-sol e ter o privilégio de ter aquele tempinho por dia para contemplá-lo é algo que me tranquiliza muito e faz-me sempre lembrar que o tempo passa muito rápido, que a vida passa muito rápido. Faz-me lembrar que a vida é preciosa.

É um momento introspetivo…

Sim. Estamos completamente focados e absorvidos noutras coisas e a verdadeira vida parece que nos passa ao lado, ficamos no trabalho, nos compromissos pessoais, sociais, familiares e a vida vai passando, não a contemplamos e não percebemos o que estamos aqui a fazer.

A Catarina é uma das vozes mais sonantes nos alertas para as questões ambientais. Sentiu que tinha algo a fazer ou dizer por ser uma celebridade?

Acho que isso não resulta e até confidencio que me revolta. Não faz sentido sentir que temos essa responsabilidade, dar o exemplo através das redes sociais e depois, no dia-a-dia, ter comportamentos completamente opostos. Quando olho para trás, eu até me culpabilizo de não ter esta consciência [ambiental]. Todos os dias parava na mercearia para comprar uma garrafa de água de plástico. Quando comecei a perceber os meus gestos e que os podia mudar, pensei no que já podia ter poupado em uso de plástico. Mas espero ter muitos anos de vida para dar o meu contributo e inspirar outras pessoas. Quero dar o exemplo não só na rede social.

Faz parte dos planos criar um blogue ou lançar um livro sobre todas estas suas mudanças?

A curto prazo não faz, mas a médio e longo prazo sim, é algo que gostava. Mas acho que tenho de crescer mais um bocadinho, consciencializar-me mais; cultivar-me mais para brindar alguém com mais informação e consciência.

O que significa para si ser capa da Women’s Health?

É um sonho tornado realidade!

E que mensagem quer passar às leitoras?

Que se esforcem para serem as melhores versões delas mesmas. O que há de mais gratificante na vida é sentirmos que somos a nossa melhor versão. Quando o somos, tornamo-nos melhores pessoas, melhores amigas, melhores companheiras, melhores filhas. Somos a melhor versão de nós mesmas e tudo à volta muda para melhor.

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