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Carolina Carvalho: representar a mulher real “é um grande elogio”

Aos 25 anos, a atriz poderia viver num rol de incertezas. Mas não. Segura de si, mostra-se mais do que pronta para todos os desafios que se seguem.

Carolina Carvalho

Aos 13 anos já sabia que profissão queria seguir e aos 25 não podia estar mais certa da escolha. Carolina Carvalho mostra confiança – e orgulho – no caminho percorrido, mas também nos projetos que se avizinham. “Estou contente com todo o progresso a nível profissional e também pessoal. Sinto que está tudo em comunicação e no equilíbrio perfeito”, diz-nos. Consciente da exposição mediática, da responsabilidade social e do poder (nem sempre positivo) que as redes sociais têm, Carolina só vê uma forma de estar na vida: ser ela própria. E é essa a mensagem que nos passa ao longo desta entrevista.

A protagonista da edição da Women’s Health de inverno 2020 contou-nos os segredos sobre o seu estilo de vida saudável, a sua vida pessoal e, sobretudo, sobre a paixão que tem pela representação. Vamos conhecê-la melhor.

Comecemos por falar um pouco do teu estilo de vida. Como é o teu dia-a-dia?

Neste momento estou em vários projetos, quase sempre a trabalhar. O meu dia começa pelas 08h30, tomo o pequeno-almoço, vou para os ensaios, faço uma pequena pausa para almoçar, volto para os ensaios. Por volta das 20h00 vou para o teatro e só depois da meia-noite é que regresso a casa, aproveito para rever os textos e ver o que vou fazer no dia seguinte.

Há tempo para treinar?

É difícil! Ou aproveito a hora de almoço ou acordo mais cedo e treino, mas é tudo uma questão de gestão de tempo. Dá sempre para tirar meia horinha para treinar.

Sempre praticaste exercício físico?

Sim, sim. Joguei voleibol durante oito anos e sempre tive o desporto na minha vida, quando se pratica desporto desde muito cedo isso acaba por ser algo que faz parte de nós, leva-se o desporto para sempre. E sou também muito ativa, gosto muito de andar a pé, gosto de incluir algumas atividades desportivas no meu dia-a-dia, mesmo que não implique ir ao ginásio.

Como é a tua rotina de treino?

Só treino acompanhada, porque saí do voleibol após uma lesão no ombro. Tenho alguns cuidados e preciso de alguém que me ajude e que programe o meu treino. Normalmente, gosto de fazer um misto de cardio com musculação e gosto de treinar, mais ou menos, três a quatro vezes por semana.

Traças objetivos?

Só faz sentido treinar com algum objetivo, mesmo que seja a manutenção. Atualmente, tenho um objetivo específico que é ganhar peso para uma nova personagem e, portanto, toda a minha alimentação e o meu treino estão focados para isso. Mas os objetivos vão mudando de acordo com a fase da vida em que me encontro.

Acreditas que ser fisicamente ativa é fundamental para aguentares este ritmo frenético, especialmente o stress associado ao teatro?

Sim, acho que todo o stress que se acumula no dia-a-dia pode ser aliviado numa hora de treino. E se o treino for de manhã consegue-se ir trabalhar com uma energia equivalen-
te a cinco cafés. O treino é uma excelente forma de aliviar o stress ou de começar bem o dia. Acaba por ser um aliado para gerir o que vai na cabeça e as emoções.

O mais bonito numa mulher, em qualquer tipo de pessoa, é o facto de a beleza ser única.
Como costuma ser a tua alimentação?

Como trabalho muitas horas seguidas, preciso de manter sempre um bom nível de energia, por isso, opto por não cortar os hidratos de carbono à noite. Faço refeições a cada duas horas e isso faz que o meu metabolismo esteja sempre em funcionamento. Mesmo sem ser nesta fase em que preciso de ganhar algum peso, mantenho os hidratos, embora à noite reduza sempre um pouco, porque trabalho até à uma da manhã, acordo cedo e preciso de ter logo energia. O importante é beber muita água e comer um snack
a cada duas horas.

E há espaço para deslizes?

Há!! Sou zero radical e fundamentalista. Podemos comer tudo o que queremos desde que seja com conta, peso e medida. Não me abstenho de comer uma goma, um chocolate ou tudo o que me apetecer, só que tenho a consciência de que terei de compensar se abusar. É tudo uma questão de equilíbrio.

O que fazes para relaxar?

Gosto muito de ouvir música… e de tomar banho [risos]. Gosto muito de juntar as duas coisas e sou capaz de estar uma hora nisso.

Como é a tua rotina de beleza?

Tiro sempre a maquilhagem e gosto de fazer uma vez por semana uma máscara de hidra-
tação, vitamina C. Todos os dias uso um esfoliante. Como sou maquilhada todos os dias e fico com a maquilhagem muitas horas na pele, tenho este hábito de esfoliar para que a pele respire de noite, aplicando depois só um tónico. Também aplico sempre creme hidratante antes da maquilhagem, assim sei que é a primeira coisa que entra em contacto com a pele. No fim de semana, ou sempre que posso, não uso maquilhagem.

Carolina Carvalho
O que te faz sentir sexy?

Sou uma pessoa que se sente sexy facilmente. Basta ver que as pessoas me sorriem para me sentir logo sexy. O sexy não tem de ter uma conotação sexual, tem que ver com o sentires-te bem contigo mesma e isso passa muito pelo que sentes que transmites aos outros e o que eles te transmitem a ti. Para me sentir sexy basta sentir que as pessoas
à minha volta estão felizes e eu também estou feliz.

Então podemos assumir que te sentes bem com o próprio corpo?

Sim, sinto-me bem com o meu corpo. Vivemos um período em que o corpo é o objetivo máximo das pessoas, o culto do corpo e o teu físico parece que é mais importante do que as tuas capacidades inte­lectuais, emocionais ou de trabalho. Parece que o facto de teres um bom corpo e uma boa imagem é o que te vai abrir portas para tudo e eu acho que é exatamente o contrário. Se estiveres realizada pessoal e profissionalmente e bem contigo própria, automaticamente vais sentir-te bem na pele e no corpo que tens.

Mas as redes sociais parecem dificultar essa perceção, essa autoimagem.

Obviamente que o facto de estarmos a viver uma altura em que vais ao Instagram de qualquer figura pública e aquilo que vês é o melhor, o melhor rabo, o melhor peito, os melhores abdominais, é claro que isso exerce uma pressão muito grande. As pessoas começam cada vez mais cedo a tentar chegar a um ideal de beleza transmitido pelas altas figuras. Estamos a viver uma era em que o objetivo é a beleza Kardashian, todas as miúdas querem ter aquele rabo, aquele peito, aquela boca, aquela cara… e chegas a um momento em que as pessoas já não se acei­tam como são.

O mais bonito numa mulher, e em qualquer tipo de pessoa, é a beleza ser única, não temos de ter todos os olhos iguais, as bocas iguais. Assim o ser humano não teria graça, seríamos todos fotocópias uns dos outros. O mais importante é que a pessoa aceite que é diferente e que as suas características são únicas.

E é possível fazer chegar essa mensagem?

Há pouco tempo, na campanha que fiz para a Tezenis, o que mais valorizei foi no facto
de terem escolhido seis mulheres com corpos e profissões diferentes e cujo objetivo era passar a mensagem de que qualquer mulher pode usar uma lingerie e ser sexy, o que importa é a energia que transmite. No vídeo que fiz para a campanha estou
a simular uma representação com atos superidiotas em que estou tudo menos sexy, mas acho que isso é que é importante, mostrar que não é preciso estar com aquela cara
superséria e sexy para transmitir às pessoas que estás bem contigo e com o teu corpo.

Ser capa da WH é um orgulho e um grande elogio, porque estou a representar a mulher real e isso é um desafio
É isso o que tentas transmitir nas redes sociais?

Aquilo que quero que chegue ao público é que eu faço um post ou story do que me apetece naquele momento e muito do público que me segue fá-lo porque sabe que é genuíno. Tento fazer que as pessoas percebam que somos todos iguais, que ninguém acorda lindo e maravilhoso e se deita lindo e maravilhoso. Quando as pessoas encontram uma figura pública a mostrar palhaçadas ou que está de pijama percebem que ‘isto realmente existe’ e identificam-se com isso. Acredito que esta é a forma mais genuína de criar uma ligação com o público e de ser trans­parente.

Mas não sentes que deves mostrar que estás sempre bem, seja nas redes so­ciais ou fora delas?

Sim, sinto, seria hipócrita se dissesse que não. Não posso chegar a um evento com má cara porque as pessoas vão interpretar que sou arrogante e mal-educada. Existe uma pressão social para isso, mas faz parte do teu trabalho. Há o peso de estar sempre bem e de filtrar o que passamos às pessoas.

E a nível de responsabilidade social, que cuidados tens com as partilhas que fazes?

No meu caso, que tenho muito público dos 15 aos 18 anos, sei que se der um exemplo errado ou passar uma mensagem errada vou ser culpada de algumas pessoas quererem imitar o que faço. Por isso, sim, existe essa responsa­bilidade social, mas não interpreto como um peso, interpreto como um complemento da profissão e da exposição pública que tenho.

Carolina Carvalho

Lidas bem com essa exposição, portanto.

Lido com as coisas da mesma forma desde o início. Gosto muito que as pessoas venham ter comigo, que venham dar-me os parabéns por alguma personagem ou cena que tenha feito. Sinceramente, o melhor para qualquer ator é sentir o reconhecimento, que as pessoas gostam ou não gostam, mas que, de alguma maneira, chegaste àquela pessoa.

Eu adoro receber as pessoas com um sorriso na cara e, às vezes, até meto conversa, faço questão que percebam que apenas temos profissões com exposições mediáticas diferentes, mas tento sempre saber um pouco sobre elas, criar um laço. Apesar de todos os dias entrar no ecrã daquela pessoa, isso não quer dizer que seja mais ou menos do que aquela pessoa, a exposição é que é diferente e tento dizer isso às pessoas e elas até acham engraçado, mas é mesmo aquilo que penso.

Apesar de a tua relação com o David Carreira ser do conhecimento público, pouco ou nada se sabe. Essa privacidade é algo que ambos gerem?

A partir do momento em que decidimos assumir publicamente a nossa relação, acabámos por ter uma responsabilidade para com o público. Tanto as atitudes do David como as minhas têm de ser ponderadas, as pessoas podem e têm o direito de questionar porque fomos nós que abrimos essa porta às pessoas. Nas redes sociais partilhamos momentos juntos, mas não queremos que isso seja uma obrigação, tentamos fazer uma gestão, mas muito natural, nada muito ponderado.

Quando anunciaram o namoro, foste muitas vezes mencionada como ‘a namorada de David Carreira’ e não como a Carolina Carvalho, atriz. Isso incomodou-te?

Estaria a mentir se dissesse que isso não me incomodou no início, porque incomodou. Já tinha começado a minha carreira há alguns anos e parece que, de repente, se apagou a minha identidade e passei a ser a ‘namorada de’. Mas como eu trabalho muito com objeti-
vos, isso até foi bom, fez-me pensar ‘vou ter de ser tão boa para perceberem que eu sou
a Carolina e ele é o David’.

Atenção, não me esforcei a mais para tal, mas foi um estímulo. Mas sinceramente, sinto cada vez mais que as pessoas olham para nós os dois e veem a Carolina e o David. O David sempre teve uma exposição mediática maior do que a minha e quando duas pessoas mediáticas se juntam é claro que as pessoas fazem um bolo geral e ela é a ‘namorada de’. Mas isso não tem mal algum, lido bem e com naturalidade. Mas na altura senti que era preciso marcar uma posição e, passado um ano após termos assumido, sinto que consegui isso, que cada vez menos as pessoas se referem a mim como a namorada do David.

Tento fazer que as pessoas percebam que somos todos iguais, que ninguém acorda lindo e maravilhoso e se deita lindo e maravilhoso.
Sempre quiseste ser atriz?

Sim, mas só verbalizei a partir dos meus 13-14 anos. Sempre fui muita boa aluna
e na minha família queriam que fosse para Medicina, por isso sempre tive muita vergo-
nha em verbalizar que queria ser atriz, mas sempre fiz peças de teatro.

O que mais fascina?

Jamais me imaginaria a ter uma profissão em que teria de fazer o mesmo todos os dias. Uso muito a minha profissão para poder vivenciar e estar na pele de várias pessoas diferentes e isso é o mais maravilhoso que temos nesta profissão. Sou uma pessoa muito emocional e sensível, por isso, ser atriz acaba por ser um bocadinho uma terapia para tudo o que se passa na minha vida. Não me imagino a fazer outra coisa.

E o que é que podes adiantar sobre a estreia no cinema?

Ainda não posso falar disso, mas vou ter novidades até ao final do ano.

Fazia parte dos objetivos fazer cinema?

Muito! Em todas as entrevistas que dei no início de 2019 disse que o meu objetivo prin-
cipal era fazer cinema, mas não achei que fosse acontecer logo, não achei mesmo. Fiz
o casting e quando recebi a proposta foi a notícia que mais me deu prazer, deixou-me mesmo contente.

Quando estás a construir uma personagem tentas dar algo da Carolina ou tentas manter a distância máxima?

Carolina Carvalho

É impossível um ator não ter uma parte de si numa personagem, seja um riso, uma forma de reagir. É o que a pessoa é e trabalha com as suas ferramentas. O mais desafiante é conseguir dar o máximo de nuances e experiências diferentes, o conseguir viver o que nunca se viveu e é aqui que entra o trabalho de ator e as várias técnicas que se estudam e se aprendem. Eu estudei a técnica de Meisner, que ensina a trabalhar com a ação e a reação do outro, o que permite estar presente no momento e agir simplesmente ao que o outro dá sem pensar muito ou sem estar muito em mim. Depois complementa-se com várias técnicas, por isso é que acho tão importante ter formação e várias ferramentas de trabalho, conhecer várias formas de trabalhar.

Em Portugal estudei ensino americano e também fiz formação no Brasil, esta é a forma de ter o máximo de ferramentas possível, até porque trabalho cada personagem de forma diferente, nunca trabalho com a mesma técnica. Às vezes, preciso de estar uma semana sozinha antes de arrancar com as gravações, outras vezes preciso de estar em sítios com muito baru­lho e observar. A fase da vida em que se está também interfere. O objetivo é fazer a maior filtragem possível e isso é um trabalho muito solitário.

Falaste da importância da formação, mas muitas pessoas parecem não ter noção dessa necessidade. Acha que isso desvaloriza a profissão de ator?

É uma profissão que, para o público, tem muito glamour. As pessoas veem-nos em eventos, pensam que só é aquilo. Mas tenho uma opinião, e é muito radical, mas cada vez menos deveríamos incentivar as pessoas a trabalhar sem formação. Não digo que não se possa dar uma oportunidade a uma nova cara, mas é preciso estudar, é uma profissão como outra qualquer, é preciso estudar, senão não existiriam escolas de atores
e formação e se existe é por algum motivo.

O sexy não tem de ser algo com conotação sexual, tem que ver com o sentires-te bem contigo mesma.
Qualquer pessoa pode ser ator?

É uma pergunta difícil porque é preciso ter vocação e se não houver isso, e por mais que se estude, vai haver sempre ali uma certa dificuldade. Mas isto é válido para qualquer profissão. Na área da representação, acho que é mesmo preciso gostar muito do que se faz para se conseguir manter ator durante muitos anos. É uma profissão que exige mesmo muito, em que o cérebro está sempre em funcionamento.

E se não trabalhar com as ferramentas adequadas, num instante a parte emocional fica destruída. Imagina passar 12 horas a chorar, a rir, a chorar, a rir. É muito esquizofrénico. É preciso aprender ferramentas que nos permitam distanciar as emoções, mas nem isso é automático, às vezes precisamos de uma hora, duas horas ou semanas para nos separarmos da personagem.

O que ambicionas para 2020?

Espero que todos os projetos que já tenho para 2020 corram da melhor forma, que con-
siga dar andamento a todos e que o público goste de me ver em várias situações. Acho que vai ser um ano de consolidação. Trabalhei muitos anos para que acontecesse um ano tão bom como o que vem aí. Espero que o público o veja também dessa forma. Trabalhei muito para que tudo isto acontecesse.

Para terminar: o que é para ti ser capa da Women’s Health?

É uma revista que qualquer mulher compra, lê e ambiciona estar na capa. E sempre fiz isso, via a revista e dizia ‘ai que corpo ótimo e lindo’, mas nunca me imaginei na capa da Women’s Health. Agradeço o convite, é um orgulho e um grande elogio, porque estou a representar a mulher real e isso é um desafio. Estou muito contente, acredito que o meu estilo de vida e aquilo que passo tem realmente importância para as pessoas. Espero que gostem.

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