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Cancro do colo do útero: uma doença evitável e curável

Este é um dos cancros mais prevalentes na mulher e em Portugal, em 2020, existiram 865 novos casos e 379 mortes por cancro do colo do útero.

Dr. Boaventura Alves

POR: Boaventura Alves, Médico especialista em Ginecologia/Obstetrícia no Hospital CUF Porto

O cancro do colo do útero é um dos mais prevalentes na mulher e em Portugal, em 2020, segundo o Globocan – Observatório Global do Cancro da OMS – existiram 865 novos casos e 379 mortes por cancro do colo do útero. Significa que, no nosso país, em média, todos os dias morre uma mulher com cancro do colo do útero.

Faz sentido falar sobre esta situação em tempo de pandemia?

Faz sentido falar sobretudo em tempo de pandemia, porque este tempo ficou demasiado longo, com impacto muito importante em todas as fases da doença: rastreio, diagnóstico e tratamento.

Sabemos que, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Oncologia, o impacto da pandemia causou uma quebra de 60 a 80% dos novos diagnósticos de cancro a nível nacional.

É necessário manter a atenção na doença oncológica, e particularmente em todas aquelas doenças cuja estratégia de controlo depende muito do rastreio. Nesse sentido, existe também um alerta da Liga Portuguesa Contra o Cancro, para as consequências da paragem de rastreios nos cancros da mama, colo do útero e colorretal nos últimos tempos, tendo ficado por diagnosticar mais de mil casos com a redução dos rastreios durante a pandemia.

É necessário manter a atenção aos sintomas de alarme da doença oncológica, que possam levar ao diagnóstico precoce. No entanto, o cancro do colo do útero é geralmente uma doença silenciosa, só provoca sintomas em fase avançada e portanto, a estratégia deve assentar no rastreio e não no diagnóstico da doença. Até porque temos no cancro do colo do útero duas situações que importa destacar – existe uma fase pré-cancerosa, que precede sempre o cancro e que tem uma evolução longa (anos), e algo que é quase único, existe uma vacina que previne essas lesões, a vacina do HPV (Papilomavirus Humano).

Esta vacina faz parte do Plano Nacional de Vacinação, a administrar aos 10 anos de idade, a todas as raparigas e rapazes. No entanto, fora do Plano, deve ser equacionada em todas as mulheres com atividade sexual, sendo eficaz, segura e bem tolerada até aos 46 anos.

Apesar de estarmos a ultrapassar uma crise pandémica e existir uma maior necessidade ao nível de cuidados dos doentes COVID-19, a área oncológica continua a ser prioritária

É necessário também manter a atenção em relação aos doentes com diagnóstico estabelecido e tratamento oncológico em curso. Apesar de estarmos a ultrapassar uma crise pandémica e existir uma maior necessidade ao nível de cuidados dos doentes COVID-19, a área oncológica continua a ser prioritária, pois o timing do tratamento é fundamental para a otimização do mesmo. Por outro lado, a doença oncológica e os tratamentos associados podem levar a uma situação de imunodepressão relativa, com aumento dos riscos em relação à COVID-19.

Por isso mesmo, os hospitais e os respetivos serviços estão organizados para que esses riscos sejam minimizados. O facto de o Hospital se dedicar a assistência de doentes COVID constitui um fator de maior e não menor segurança – existem protocolos de identificação de casos suspeitos e circuitos de segurança definidos desde o início, desde a entrada na instituição até aos locais de consulta, áreas de diagnóstico, internamento e bloco operatório. Há também novas formas de monitorização da doença e dos tratamentos efetuados, incluindo a teleconsulta e o tratamento/monitorização no domicílio, que diminuem as necessidades de deslocação ao hospital.

O cancro do colo do útero existe, é necessário estar atenta e procurar proteção! Esta é uma doença evitável e curável se for detetada precocemente e tratada adequadamente.

Não deixe de se informar junto do médico de família ou do médico ginecologista se está protegida, perguntar se o rastreio está atualizado, se a vacina se aplica ao seu caso; se há sintomas que não existiam é necessário valorizá-los; se existe uma doença oncológica já diagnosticada ou em tratamento, é necessário seguir as orientações e manter os tratamentos.

O vírus mata, o cancro também, não de uma forma tão súbita e mediática, mas de forma silenciosa e tardia. Esta pretende ser uma mensagem de esperança em tempo de pandemia – é possível proteger-se do cancro do colo do útero!

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