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O ataque cardíaco é mais grave e intenso na mulher?

Apesar de se pensar que o ataque cardíaco é um problema maioritariamente masculino, cada vez mais mulheres sofrem desta patologia.

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Apesar de haver a ideia de que são os problemas oncológicos que têm uma maior taxa de mortalidade, essa ainda não é a realidade do nosso país. Dados da PORDATA apontam para o facto de as doenças do aparelho circulatório terem, em 2017, sido responsáveis por 29,3% das mortes.

Marco Costa, médico cardiologista responsável pela Universidade de Intervenção Cardiovascular do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra afirmou em entrevista à WH que há um perigo de se desvalorizar a patologia cardiovascular com os bons resultados obtidos no tratamento destes problemas nos últimos anos”. Isto, apesar de haver um aumento da “patologia oncológica e uma redução de mortes por enfarte e AVC”.

Apesar da ideia generalizada de que os ataques cardíacos e as doenças do coração apenas afetam os homens, é necessário desmistificar esta questão. Isto, porque há cada vez mais mulheres a sofrer deste tipo de patologias, sendo afetadas por formas mais graves da doença. Na verdade, segundo afirma o Dr. Marco Costa, “morrem, proporcionalmente, mais mulheres do que homens por doença coronária”.

As doenças cardiovasculares são mais acentuadas nas populações envelhecidas, fenómeno que se começa a verificar em Portugal, onde o número de idosos está a aumentar e o número de jovens a diminuir. À agência Lusa, Miguel Costa, investigador do Centro de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina das Universidade de Lisboa, afirmou que “vamos ter um aumento de pouco mais de 70% das mortes devido à insuficiência cardíaca, apenas pelo efeito do envelhecimento da população”.

 

O que é um ataque cardíaco?

Primeiro, é necessário entendermos o que é, efetivamente um ataque cardíaco. O termo técnico para o comummente denominado ‘ataque cardíaco’ é enfarte agudo do miocárdio. Este problema está associado a um maior risco de morte súbita, motivo pelo qual se denomina ataque cardíaco.

O que acontece, na prática, é a oclusão de uma artéria do coração, sendo que “o músculo cardíaco depende dessa artéria”, pelo que “vai morrendo de forma rápida conforme o tempo vai passando. Mas, se conseguirmos abrir a artéria rapidamente podemos restabelecer de forma eficaz o fluxo sanguíneo e reduzir a quantidade de músculo perdido”, explica o cardiologista.

Assim, tempo é vida, pelo que é fundamental que os meios de socorro sejam chamados prontamente. Ligar para o 112, o número de emergência europeu pode salvar a vida de quem está a ter um ataque cardíaco.

 

Uma questão de estilo de vida

Os problemas ao nível do coração são, muitas vezes, motivados por um estilo de vida menos saudável. Alguns cuidados consigo mesma podem ajudar a prevenir que venha a sofrer deste tipo de problemas no futuro.

Ter uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico de forma regular são duas premissas “essenciais para ter bons resultados na saúde cardiovascular a longo prazo”, afirma. No entanto, o especialista acrescenta que isto nem sempre é linear e fácil de cumprir, devido às circunstâncias da vida. Temos “dificuldades na gestão do tempo, que limitam a prática de exercício físico, situações de stress laboral e alguma crise económica”, premissas que influenciam negativamente a busca por um estilo de vida mais saudável.

Neste sentido, o assinalar do dia Nacional do Doente Coronário assume-se extremamente importante. Só assim se pode chamar a atenção das pessoas e sensibilizar para estas questões. Em Portugal existem 300 mil doentes coronários; note-se que o Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção conta com mais de 150 mil inscrições. Note que, destas 150 mil pessoas, cerca de 25% são mulheres e com idades superiores a 65 anos.

 

“A dor forte no peito associada a mal estar geral deve fazer pensar num possível enfarte. Por isso, acionar de imediato a “via verde coronária” através do 112” – Marco Costa, Cardiologista

 

Ataque cardíaco e a mulher

De um modo geral, “os fatores de risco tradicionais são a hipertensão, o aumento do colesterol e o tabagismo. Aponta-se também a diabetes, a obesidade, o sedentarismo e o stress”, enumera Marco Costa. No entanto, como já explicámos, este não é um problema apenas de homens. Pelo contrário, existem fatores de risco diretamente ligados à saúde da mulher.

No caso das mulheres, o facto de ser fumadora e de tomar a pílula podem ser pontos contra a saúde cardíaca. De facto, Marco Costa alerta para o aumento dos riscos de fenómenos trombóticos nas mulheres com estes hábitos.

Se tem um estilo de vida saudável e nunca teve problemas de saúde, o ideal é fazer um check-up anual. De entre os exames que lhe podem ser pedidos, Marco Costa destaca a importância das análises ao sangue. Este teste pode revelar alguns problemas como o colesterol.

“Acima de tudo [é preciso deixar] uma mensagem de cautela relativamente à doença coronária na mulher. Embora menos frequente é mais grave, com manifestações atípicas e com uma relação mais forte com o tabagismo. Medidas simples de mudança do estilo de vida como promover o exercício físico, uma boa alimentação e evitar o stress vão seguramente ajudar a evitar consequências mais graves como enfarte do miocárdio”, explica Marco Costa.

Veja, na galeria a cima, os principais sintomas de ataque cardíaco. E lembre-se da importância de chamar os serviços de emergência se notar que alguém está com esta sintomatologia.

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