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Aposte no equilíbrio e (não) seja perfeita

Sabemos que nem sempre se consegue fazer tudo de forma perfeita, mas este artigo dá-lhe dicas para andar lá perto. Saiba gerir os vários campos da sua vida.

Aposte no equilíbrio e (não) seja perfeita

Faça uma sondagem às suas amigas, de certeza que todas têm uma coisa em comum. Independentemente da idade, etapa da vida e carreira, todas são malabaristas a tempo inteiro. De reuniões, prazos de trabalho, eventos sociais, cuidar das crianças, saídas à noite e atualizações do Instagram.

Ora, o resultado de tentar manter essas bolas figurativas a voar lá no alto com um – aparentemente – talento isento de stress é… a total exaustão.

A verdade é que, a maior parte de nós fica profundamente ansiosa com o conceito de ‘equilíbrio’. Há uma constante mudança de valores das mulheres jovens à procura de uma nova ideia de como as relações e a família se encaixam nas suas ambições profissionais. Um abanão do mito de que podemos fazer – e ter – tudo isso. Ou seja, ser boas profissionais, assim como boas mães e mulheres.

As estatísticas falam por si

De acordo com um recente inquérito da Women’s Health dos EUA, a cerca de mil mulheres, 43% respondeu que sentia ter alcançado o equilíbrio trabalho / vida pessoal. Já 75% respondeu que se sentiam culpadas por não serem bem-sucedidas na procura desse equilíbrio entre trabalho e vida. O quê? Isso é absolutamente contraditório, certo?

A verdade desanimadora é que, mesmo quando as mulheres pensam que alcançaram o equilíbrio, ainda creem que não é suficientemente bom. (Já mencionámos que 72% respondeu sentir-se sem energia, exaustas ou ansiosas no final do dia?)

Não é exatamente o retrato de uma vida feliz e saudável. Mas de nada vale desistir. Quando se abandona a ideia de que é imperativo encontrar o equilíbrio, é mais fácil ver o caos por aquilo que ele realmente é. Falamos da dinâmica que a faz mover-se e a aproxima-a mais da versão do sucesso, quer esteja a trabalhar o máximo para provar algo a si própria, descobrir o amor e pagar a renda, ou construir uma família e uma carreira ao mesmo tempo.

Pense ao contrário

A adrenalina do trabalho, da vida e do amor faz-nos sentir mais vivas. Não se sintam culpadas por estarem com os vossos maridos e filhos quando estão a trabalhar, ou por não estarem a trabalhar quando estão dedicadas à família. É que, afinal de contas, a família recebe a sua dose de amor e o trabalho é feito com o máximo empenho. Sim, é certo que é mais fácil escrever do que falar e nós sabemos que, no dia-a-dia, acontecem coisas que passam todas as marcas, seja no trabalho ou em casa, mas esse é um pequeno preço a pagar por uma vida que é intensa e que nos satisfaz. Concorda?

Mais ocupada do que nunca

Já não se fala da questão de a mulher não trabalhar – pudera! -, mas isso não quer dizer que não estejamos a ser constantemente postas à prova e que nos exijam trabalhar mais e mais. Para abordar todo este conceito de equilíbrio trabalho-vida pessoal que, em pleno século XXI, ainda nos parece antifeminista. Os homens são educados a considerar que o trabalho faz parte da vida. Mas as mulheres recebem a mensagem de que terão de trabalhar muito mais se querem ir tão ou mais longe na carreira comparativamente aos homens. E sim, estamos a falar da falta de igualdade de oportunidades, salários, respeito, de tudo isso. Mas se é esse o caminho, nós devemos estar nele. Se temos de lutar para estarmos nos pontos de decisão, vamos lá.

O que dizem as estatísticas

Segundo os dados do Eurostat de 2015, os homens ganham, em Portugal, mais 17,8% do que as mulheres, acima da disparidade salarial média na União Europeia (UE 16,3%). E a tendência não acaba no escritório. Mesmo as mulheres mais bem-sucedidas podem assumir a parte mais pesada do trabalho doméstico e da educação dos filhos. A isto, os sociólogos apelidam de ‘o segundo turno’.

Por comparação com os homens, a mulher média passa uma hora extra por dia em atividades como cozinhar, limpar e alimentar e cuidar dos filhos, de acordo com o US Bureau of Labor Statistics. Não admira que mais de metade das mulheres no inquérito da WH nos EUA diga que têm zero tempo para elas próprias.

Grandes expectativas

Então, se a ideia de equilíbrio é este acordo pouco digno, porque o perseguimos de forma tão intensa? Em parte, porque as nossas redes sociais são inundadas com informação de mulheres que vivem de forma intensa a sua vida e sem mostrar qualquer tipo de esforço.

Estudos recentes mostram que as pessoas que passam a maior parte do tempo a cobiçar a vida online dos outros, sentem-se mais deprimidas e desenquadradas da sociedade. Outro estudo descobriu que 42% das mães sentem-se inferiorizadas após visitarem o Pinterest.

Verificar as coisas a partir de uma lista de coisas-a-fazer pode ajudar-nos a sentir que temos tudo sob controlo. Mas com tanto nas nossas costas, invariavelmente haverá algo que não conseguimos fazer ou concluir de forma perfeita. E, quando isso acontece, costuma vir acompanhado de um sentimento de que não somos suficientemente boas. Esta desagradável combinação de desigualdade e sentimentos de desadequação culmina frequentemente em cansaço extremo.

…a vida social a vacilar

56% das mulheres do inquérito da WH dos EUA responderam que o stress no trabalho afetava negativamente as suas relações pessoais, e a nossa saúde vem por aí abaixo. A investigação mostra que as mulheres que trabalham 41 a 50 horas por semana têm maior risco de doenças coronárias, artrite e diabetes. Números muito mais elevados do que aqueles encontrados em homens que trabalham em igual medida. Porquê? Fazer malabarismos entre a carreira e as responsabilidades do ‘segundo turno’ aumenta os níveis de stress, intimamente ligado a tais doenças.

Faça as pazes com o caos

Pode ser um comprimido difícil de engolir, mas se o objetivo é encontrar o equilíbrio, você terá que abdicar de algumas coisas, ou pelo menos esquecer a ideia de fazer tudo na perfeição. De nós, espera-se que estejamos disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana? Espera-se, mas é melhor esquecerem! Somos nós que devemos definir limites. Se responder a e-mails noturnos faz parte da sua cultura de trabalho, envie uma breve resposta que não a vá ocupar a noite toda. Por exemplo, ‘Gostaria de analisar o assunto, voltarei ao contacto oportunamente’. Melhor ainda, use aquela tática sempre oportuna para ganhar alguma vantagem.

Aborde o seu patrão sobre a possibilidade de trabalhar a partir de casa um dia ou dois por semana. Ou a big one: peça ajuda. Até a Mulher Maravilha permite que Batman e Robin a ajudem de vez em quando. Mas aproximadamente um quarto das mulheres no inquérito da WH dos EUA tentam fazer tudo – e sem ajuda. Por isso, peça comida takeaway com mais frequência (como se precisasse de uma desculpa); peça à sua irmã para ficar com os miúdos à tarde. Ou diga ao seu marido para a ajudar com as tarefas de casa enquanto você despacha algum trabalho acumulado.

Não há um sítio certo ou errado para gastar a sua energia

Ambição não tem de ser uma palavra odiosa.Muitas mulheres no referido inquérito preferem fazer mais dinheiro e trabalhar mais horas do que diminuir o salário e trabalhar menos. E as escolhas que fizer hoje não ficarão gravadas em pedra. Se tiver uma crise de saúde, precisar de cuidar de um parente idoso ou quiser dar um passo atrás na carreira, poderá fazê-lo. O caos está em constante movimento.

A única coisa que deverá permanecer constante na sua vida? O autocuidado. E é aí que as mulheres costumam falhar. Na conceção errada de que o autocuidado tem que ser ativo como o yoga ou caro como um dia no spa. Mas pode e deve ser visto de outra forma ao tornar as responsabilidades um pouco mais agradáveis. Por exemplo, ler aquele relatório enquanto toma um brunch. Ou escrever aquele ponto de situação a partir de casa vestida de pijama. Enfim, se não consegue diminuir a carga de trabalho, encontre formas de o fazer em conjunto com tarefas mais agradáveis.

Percorra as imagens da galeria e conheça algumas formas de estar consigo mesmo – sem se sentir mal ou egoísta.

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