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É por isto que não deve usar máscara quando corre

O uso da máscara social, imposto pela DGS, na rua inclusive, deve ser comprido sempre que não se consegue garantir o distanciamento social. Então e nos treinos?

correr máscara

De acordo com as diretrizes impostas ao país, aquando do estado de emergência, correr ou caminhar na rua nunca foi uma proibição. De facto, por Lisboa, Porto e tantos outros distritos, vimos pessoas a correr – sozinhas ou aos pares.

Neste novo estado de emergência. O uso de máscaras continua a ser obrigatório em espaços fechados e sempre que o distanciamento social não é conseguido na via pública. Então e a nível de corrida?

“Não vejo razão para fazer exercício com máscara, desde que o pratique afastado das outras pessoas e em sítios bastante arejados seja junto ao mar, em marginais, parques da cidade ou o que for, individualmente”. Assim começa por apontar Miguel Abreu, médico infecciologista do Centro Hospitalar e Universitário do Porto, que acrescenta: “A máscara pode atrapalhar a nossa respiração e por isso, do ponto de vista fisiológico, pode até ser prejudicial”.

 

E fora do treino, usar ou não usar máscara?

“Temos de assumir que estamos todos infetados. Esta é a mensagem que queremos passar”, refere Miguel Abreu, respondendo à questão sobre a utilização de máscara de forma a garantir a proteção de todos.

Na opinião do infecciologista, dever-se-ia utilizar a máscara cirúrgica, não a social. “A mascara cirúrgica tem este nome porque, quando usada por um cirurgião no bloco operatório, impede que os seus microrganismos da boca contaminem por exemplo o abdómen aberto de um doente. O que quero dizer com isto é que a máscara cirúrgica protege-nos a nós um bocadinho, mas o propósito principal é a de proteger o próximo. Por isso, se todos usarmos a mascara cirúrgica ficamos mais protegidos”, explica o especialista.

Em contraste, “a máscara social diminui um bocadinho o risco de contágio, mas a efetividade é baixa. Não é a mesma coisa”, diz. Ainda assim, “nós, inconscientemente, levamos a mão à boca muitas vezes. Se eu tenho uma coisa a tapar-me a boca e o nariz, a probabilidade de me contaminar, mesmo que tenha a mão contaminada, é muito baixa”. É neste sentido que a máscara social diminui um pouco o risco de transmissão”.

Para melhor entender a efetividade destas máscaras, está a ser desenvolvido um estudo de avaliação às máscaras sociais. A investigação portuguesa está a ser levada a cabo por um grupo liderado pelo Dr. Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Saúde Pública, como nos adianta Miguel Abreu.

Até lá, resta não acreditar em tudo o que se lê na internet, onde é partilhada demasiada informação, nem sempre sustentada. “Vemos no Facebook a opinião de muitas pessoas que de um momento para o outro parecem especialistas em infecciologia. Curiosamente, quem tem mais dúvidas sou eu, que sou formado em doenças infecciosas”, admite.

“Se é para usar, usa-se uma máscara a sério, que é a cirúrgica”

Em suma, “se é para usar, usa-se uma máscara a sério, que é a cirúrgica. Entre usar uma mascara não cirúrgica e não usar nada, tudo depende da circunstância. Por isso é que se fala nas máscaras sociais”, remata.

Em toda a conversa, o especialista entrevistado pela Women’s Health referiu várias vezes que aquilo que partilhou, ainda que sempre sustentado numa base científica robusta, não deixa de ser a sua opinião. “Parece-me importante referir isto para que as pessoas percebam que há um nível de evidencia que é mais uma opinião pessoal do que uma evidência científica. Quando dois cientistas, neste caso dois médicos da mesma área, podem dizer uma coisa diferente sobre um mesmo tema, tal significa que a evidencia científica de tudo isto é baixa”, esclarece.

“Não sei se o uso de mascaras virá a ser obrigatório em todas as situações. Mas se o for, teremos de abordar qual será a mais adequada. Eu continuo a dizer que o ideal será uma máscara cirúrgica, desde que tenha o atleta ou praticante tenha capacidade atlética para tal, o que pode não ser fácil – correr com esta máscara pode dificultar a respiração.

Em todo o caso, “importa não alarmar, nem vincular uma ideia como uma ideia como verdade absoluta”, diz Miguel Abreu.

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