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Alterações cutâneas na gravidez: o motivo e cuidados a ter 

A mudança nesta fase da vida pode ir além do crescimento da barriga. No Dia Mundial da Grávida, a WH alerta para os cuidados a ter neste sentido.

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São vários os sistemas e os órgãos que se adaptam a esta fase da vida da mulher. Em relação ao cabelo, por exemplo, é comum que caia no período pós-parto, como nos diz Maria de Lurdes, especialista em ginecologia e obstetrícia no hospital dos SAMS. Também pode notar alterações ao nível das unhas, como o crescimento mais rápido, “estrias longitudinais, onicólise distal e hiperqueratose subungueal”, acrescenta a especialista.

E a nível da pele? Foi o que quisemos explorar. Estrias são uma característica bastante comum nesta fase da vida da mulher, mas as alterações não se ficam por aí. Devido às diferentes mudanças significativas que se verificam ao nível hormonal, a sua pele pode apresentar comportamentos diferentes dos habituais. No entanto, se tiver os cuidados essenciais, não necessita de colocar demasiada preocupação nestas alterações pois, segundo Maria de Lurdes, “as alterações fisiológicas surgem em praticamente todas as grávidas, sendo na maioria das vezes reversíveis”.

A ginecologista entrevistada esclarece que as alterações fisiológicas são um dos tipos das alterações que ocorrem no corpo da mulher na gravidez. “De uma forma geral, podemos classificar essas alterações em fisiológicas, as que sofrem uma melhoria ou agravamento de dermatoses preexistente e as dermatoses na gravidez”, explica.

5 das alterações na pele mais frequentes durante a gravidez

1. Alterações da pigmentação

Segundo a especialista, a mudança da pigmentação é bastante comum e pode revelar-se de duas formas distintas: melasma e hiperpigmentação. O melasma caracteriza-se por “ manchas hiperpigmentadas e simétricas na zona central da cara. Tem como fatores de risco, a predisposição genética, a exposição à luz solar, o fotótipo e fatores hormonais. Por norma regridem durante o ano seguinte à gravidez, mas algumas áreas de hiperpigmentação podem permanecer”, explica.

Já a hiperpigmentação pode regredir parcial ou totalmente e traduz-se numa maior coloração da linha média abdominal e no aumento da pigmentação em regiões como a aréola mamária, mamilos, axilas, períneo, genitais e parte interna das coxas. A profissional não aconselha a realização de tratamentos de despigmentação na fase de gravidez pelo potencial risco para o bebé.

2. Estrias cutâneas

Por norma, estas alterações do tecido conjuntivo aparecem depois das 24 semanas de gestação. Maria de Lurdes refere que as estrias “resultam da rutura das fibras (colagénio e elastina) pelo aumento da tensão sobre a pele”. Para além das alterações hormonais (elevada concentração de estrogénios e progesterona), a predisposição genética também é um fator que aumenta a probabilidade de desenvolver estas marcas. Podem aparecer na zona abdominal, mamas, nádegas e coxas e não existe um método efetivo na sua prevenção ou tratamento.

3. Alterações glandulares

É possível que sinta diferença ao nível da transpiração. De acordo com a médica, ao nível das glândulas sudoríparas verifica-se uma hiperatividade da glândula écrina e hipoatividade da glândula apócrina. Isto na prática, traduz-se num aumento do suor.

Em alguns casos pode verificar tanto o aparecimento e/ou agravamento do acne, como uma melhoria clínica deste aspeto. “No que diz respeito às glândulas sebáceas, a resposta não é tão expectável”, explica Maria de Lurdes.

4. Alterações vasculares

As mudanças hormonais provocam a dilatação e instabilidade vascular que resulta num conjunto de alterações na pele. Estes são alguns dos exemplos que a profissional clarificou à Women`s Health.

-Aranhas vasculares (Telangiectasias): surgem habitualmente na cara, pescoço, peito, braços e mãos. Aparecem entre o 2º e 5º mês e com maior frequência em peles claras e regridem, na sua maioria, após 3 meses do parto.

– Eritema palmar (vermelhidão nas zona da palma da mão): por norma, estas alterações desaparecem entre 6 a 7 semanas após o parto.

-Granuloma piogénico: tumores benignos vasculares que se resolvem espontaneamente depois do parto, mas com tempo de regressão variável de semanas a meses.

-Varicosidades: frequentes nos membros inferiores, região vulvar e anorretal. Verificam-se sobretudo no 3º trimestre da gravidez, regredindo parcial ou totalmente no pós-parto.

– Edema facial das pálpebras e extremidades: são também muito frequentes

-Tromboses e tromboflebite: ocorrem mais raramente.

5. Dermatoses

Como doença, aparece apenas em algumas grávidas. “Englobam uma grande variedade de situações patológicas de gravidade diversa como, por exemplo, o prurido da gravidez. “Constitui uma queixa frequente, predominantemente localizada na zona abdominal”, explica a especialista.

O que fazer para prevenir?

Tenha em consideração que os cenários mencionados correspondem a uma fase transitória. Independentemente disto, Maria de Lurdes explica que existem alguns cuidados que pode ter para prevenir o seu agravamento.

1. Aplique protetor solar nas áreas da pele que ficam mais expostas à radiação.

2. Use cremes emolientes. Estes podem ajudá-la a prevenir as estrias, uma vez que hidratam e lubrificam a pele.

3. Pondere a procura de suporte psicológico com vista a minimizar algumas alterações vasculares.

4. Eleve frequentemente os membros inferiores, use meias de compressão, durma em posição lateral esquerda, pratique exercício físico adequado, evite longos períodos em pé ou sentada. Tudo isto são procedimentos de prevenção importantes no aparecimento de veias varicosas. Uma eventual “intervenção médica e/ou cirúrgica, deve ser considerada 3 a 6 meses após o parto, dependendo naturalmente da gravidade clínica e natureza do refluxo venoso e tendo em conta o planeamento de novas gravidezes.” diz a especialista em ginecologia e obstetrícia.

5. Hidrate-se e alimente-se adequadamente. Para avaliar cada alteração cutânea, procure a ajuda de um especialista. Apesar de ser comum, pode necessitar de um procedimento terapêutico. “Existem ainda outras patologias da pele que são menos frequentes, constituindo quadros clínicos que devem ser sempre avaliados, impondo diagnóstico e acompanhamento pelo dermatologista”, refere Maria de Lurdes.

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