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Alimentação à base de plantas: a ‘moda’ flexitariana veio para ficar

A dieta veggie é a grande tendência. Cerca de 9% da população adulta portuguesa prefere plant-based foods.

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A alimentação à base de plantas continua a ganhar popularidade. Considerada por muitos uma moda, optar por plant-based foods é, na verdade, um estilo de vida. Estilo este que promete melhorar não só a saúde individual como o bem-estar do planeta. Equilíbrio é a palavra de ordem.

Um estudo realizado pela consultora alimentar espanhola Lantern, especializada no desenvolvimento de conceitos pensados para marcas de grande consumo, indica que Portugal tem cerca de 764 mil adultos veggies, termo que engloba os vegans (que não incluem quaisquer produtos animais na alimentação), vegetarianos (que, por norma, excluem carne e peixe, mas podem consumir ovos – ovovegetarianos – e/ou leite e derivados – lactovegetarianos) e flexitarianos (que consomem carne e peixe esporadicamente, dando preferência a alimentos de origem vegetal). A Women’s Health conversou com David Lacasa, sócio da Lantern sobre o fenómeno.

Os resultados do estudo demonstram que 9% da população adulta portuguesa é veggie. Embora os vegans e vegetarianos constituam apenas 1,6%, o grupo dos flexitarianos representa 7,4%, com tendência a aumentar.

Estudo demonstra que 9% da população adulta portuguesa é veggie.

David Lacasa apontou duas motivações principais que explicam tais valores. “Os vegans e vegetarianos é mais um tema de sustentabilidade e de cuidar e respeitar os animais. Contudo, no caso dos flexitarianos, a razão fundamental é melhorar a saúde. Não é que não tenha a ver também com a sustentabilidade, mas 74% da motivação vem dessa parte de cuidar da saúde”, diz-nos.

Em relação ao crescimento superior que este modelo alimentar está a ter, Lacasa reforçou o impacto que tem na saúde. “Queremos todos chegar a uma idade maior com melhor saúde, para podermos aproveitar esse tempo de forma plena. Ora, uma parte fundamental para o conseguir é tendo uma alimentação melhor, comer mais verdura”. David Lacasa salienta ainda que a dieta flexitariana é a que melhor enquadra esse movimento, pois não são contra comer carne ou peixe, no entanto comem muito mais legumes, frutas, leguminosas.

 

Ser veggie (não) está em voga

É certo que o tipo de dieta que prevalece continua a ser omnívoro. Ainda assim, o mesmo inquérito concluiu que, em 2019, 43% dos portugueses reduziu ou eliminou o consumo de carne vermelha e 54% o consumo de enchidos. Mais um fator que se prende com a vontade de ser mais saudável, sustentabilidade e bem-estar animal.

“Nós não achamos que adotar uma alimentação à base de plantas seja uma moda. O número de veggies cresceu imenso ao longo dos anos”, diz David Lacasa. “E isto é uma tendência transversal a esta área”. A Lantern realizou outro estudo, fugindo do âmbito alimentar, e verificou que “a maioria das pessoas não compraria produtos tendo sido feitos testes em animais. Além disso, também procuram produtos mais naturais, pois muitos respeitam os animais, mas têm composições químicas, por exemplo. Inclusive no vestuário, agora já quase não há produtos de pele. As grandes marcas já deixaram de fazer esse tipo de produtos e por aí está a transcender muitos hábitos”.

Já em 2017, o estudo mais recente da Associação Vegetariana Portuguesa (AVP), dava indicação que o número de vegetarianos crescera na ordem dos 400% entre 2007 e 2017, podendo também estimar-se que cerca de 30% dos portugueses estava na altura a reduzir ativamente o consumo de proteína animal, enquadrando-se na categoria de flexitarianos.

 

A evolução do mercado vegetariano

Em 2018, a AVP fez um levantamento de dados e apurou que a oferta do mercado vegetariano aumentou cerca de 313% na última década, sobretudo ao nível da restauração, contando com pelo menos 172 estabelecimentos veggie (lojas e restaurantes), na altura.

Claro está que as zonas do país com maior concentração de indivíduos, são também aquelas onde se encontra a maior densidade de estabelecimentos vegetarianos/vegans. Lisboa é a cidade portuguesa com um maior número de estabelecimentos. Em 2018, existiam 27 restaurantes 100% vegan e 34 restaurantes vegetarianos. Seguem-se o Porto (12 restaurantes veganos e 19 restaurantes vegetarianos, com mais de 80 restaurantes com opções vegetarianas), Braga, Funchal e Lagos.

Dada a falta de distribuição, e sendo o mercado vegetal maioritariamente dominado por bebidas, não é de admirar que um em cada três veggies tenha dito à Lantern que é ‘complicado’ ou ‘muito complicado’ encontrar pratos adequados à dieta fora de casa, principalmente se for vegan. Todavia, começam a surgir cada vez mais opções que vão ao encontro das necessidades destes grupos.

 

Então, quais os prós e contras de uma alimentação à base de plantas?

Não podíamos deixar de referir o porquê de se afirmar que uma alimentação à base de plantas é o caminho a seguir. Por isso, questionamos ainda Cláudia Maestre, nutricionista a dar consultas exclusivamente online, acerca das vantagens deste modelo alimentar.

Prós:

“Uma alimentação vegetariana bem planeada consegue garantir as necessidades diárias energéticas e nutricionais de qualquer fase do ciclo de vida, desde a infância à idade adulta. Incluindo ainda a gravidez e amamentação”, diz Cláudia Maestre. A especialista aponta que uma dieta à base de plantas tem vários benefícios para a saúde, tais como:

– Redução do risco de doenças cardiovasculares;

– Redução do risco de diabetes;

– Redução do risco de alguns tipos de cancro;

Contras:

“Não existem contras de adotar uma alimentação veggie, salvo doenças específicas”, afirma a nutricionista. “Não existem riscos, a menos que seja mal estruturada”.

Assim, o único senão prende-se com a necessidade de prestar mais atenção à Vitamina B12, Ómega-3, Ferro, Zinco e Iodo,aquando do planeamento de uma dieta vegetariana. Isto porque tais elementos são mais facilmente encontrados nos animais.

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