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Afinal, dormir com o cabelo molhado faz mal?

Muitos defendem as desvantagens para a saúde. Mas as vincadas rotinas parecem prevalecer sem que se confirme a sua veracidade.

Afinal, dormir com o cabelo molhado faz mal?

Ficar doente, desenvolver fungos na cama ou vir a sofrer de asma são apontados como consequências de se dormir com a cabeça molhada. Mas, por vezes prevalece a rotina de cada um, a quem pode dar mais jeito lavar o cabelo à noite.

Com variações dependentes da espessura do fio capilar, aponta-se que o cabelo humano demora, em média, 24 horas até ficar completamente seco. O secador dá uma ajuda, mas não faz todo o trabalho. Nesta rotina de beleza, o tempo é um bem precioso e imprescindível.

Mas, para Rui Oliveira Soares, Coordenador da Unidade do Cabelo do Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas, “não faz qualquer sentido falar do tempo que demora a secar porque depende das condições exteriores de temperatura e de humidade, bem como da densidade e comprimento do cabelo”.

Como diz o especialista, tanto quanto a ciência conhece, dormir com o cabelo molhado não tem qualquer efeito positivo ou negativo. “De uma forma geral, os fatores que influenciam a saúde da estrutura capilar afetam o folículo (estrutura viva dentro da pele que gera o cabelo) e não o cabelo (estrutura morta e acelular).

E a contaminação por fungos?

Uma outra consequência que se associa a este hábito advém de um estudo que veio comprovar a contaminação da almofada e cama por fungos. Ainda que a maioria dos fungos se reproduza no exterior, um grupo de cientistas da Universidade de Manchester analisou 10 almofadas que eram usadas para dormir diariamente há pelo menos um ano e meio. Nesta amostra incluiu-se almofadas com até 20 anos e de todas elas se recolheram amostras de diferentes pontos do objeto.

Desta investigação concluiu-se que eram principalmente as de material sintético que contavam com maior quantidade de fungos. Ora, estes microrganismos desenvolvem-se em ambientes húmidos e com acumulação de poeira

Dito isto, poderá o cabelo molhado propiciar o desenvolvimento de fungos? Não há provas que o confirmem. Aliás, como refere Rui Oliveira Soares, o estudo não aborda diretamente a questão de se dormir com o cabelo molhado. “De forma genérica, a humidade promove um bom ambiente ao desenvolvimento de fungos e aumenta a possibilidade de maceração mecânica da pele”.

É por isso que se recomenda, pelo menos a secagem com toalha, aponta o especialista. “A multiplicação das espécies de malassezia (principal fungo comensal que está aumentado nas pessoas com caspa e com dermatite seborreica) parece mais determinado por fatores endógenos (genética, produção de sebo pela pele, factores hormonais). Pelo contrário, “não há estudos que relacionem aumento das suas populações com dormir com o cabelo molhado”, garante.

Ainda assim, aconselha-se que se mude a fronha da almofada uma vez por semana. Este é o melhor método para evitar a exposição a tais microrganismos. O hábito deve ser especialmente adotado por quem tende a acordar com irritação no nariz, comichão ou olhos lacrimejantes. Estes são possíveis sintomas de alergia.

 

Então, não há perigo?

Há. Não a nível de fungos a viver na sua almofada, mas pela própria saúde capilar. Por não permitir que o cabelo seque completamente, o fio capilar vai gradualmente danificar-se, ao perder a sua camada protetora. Sem esta camada, o cabelo fica mais fino, e consequentemente parte-se mais facilmente.

Em suma, deve sim evitar deitar-se com o cabelo molhado. Mas, se o fizer pontualmente, não está a comprometer a saúde capilar assim tanto. Pintá-lo ou usar diariamente alisador de cabelo fará muito pior. Não ter cuidados aquando da exposição ao sol é também considerado agressivo.

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