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O que acontece à saúde quando ajuda um colega de trabalho

Ajudar os colegas pode ser uma forma eficaz de aumentar a produtividade do trabalho, mas isso também pode pode ser mau para a sua saúde.

colega

Num mundo em que a produtividade é cada vez mais uma palavra-chave no mundo laboral, independentemente do setor em que trabalhe, a entreajuda entre colegas é fundamental. Cada vez existem mais desafios e, quando são ultrapassados em equipa, as hipóteses de sucesso aumentam.

Não é, por isso, incomum que um ou outro colega sinta a necessidade de lhe pedir ajuda umas quantas vezes por dia, ou até que seja é o próprio a precisar do auxílio de um dos seus companheiros de trabalho. No entanto, ajudar e ser ajudado tem efeitos práticos em si, no seu bem-estar e na sua relação com o trabalho.

O professor Russel E. Johnson, da Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, tem vindo a estudar este assunto de forma mais aprofundada e, recentemente, chegou à conclusão de que pode ser mais benéfico para si não ajudar tanto os seus colegas. Calma, não queremos que deixe ninguém desamparado nem que se isole no seu canto. O que este estudo diz é que tudo depende da forma como concede este apoio.

 

Proatividade e reatividade

Este estudo contou com a participação de 54 pessoas com idades entre os 21 e os 60 anos, todas elas trabalhadoras a tempo inteiro. Foram recolhidos dados durante 10 dias sobre a gratidão, a quantidade de ajuda, o impacto social e os níveis de compromisso com o trabalho dos participantes.

Para Johnson e a sua equipa, tudo se centra nestes dois termos: proatividade e reatividade. São estes os dois tipos de ofertas de ajuda que podem ocorrer no local de trabalho e a forma como reage a cada um deles determina as sensações que vai retirar do ato de ajudar o colega.

“Se oferece ajuda aos outros ativamente, então, está a ajudar proativamente. Se um colega a aborda e lhe pede a sua ajuda, então é um ajudante reativo“, explica Johnson no comunicado emitido pela Universidade Estadual do Michigan. Quando ajuda de forma proativa, o que acontece é que a noção de quais são os verdadeiros problemas dos seus colegas urge de forma ténue, pelo que a gratidão que receberá pela ajuda vai ser menor.

Por vezes, o que acontece é oferecem-lhe, a si, ajuda de forma constante. Se tem alguém passa o dia a perguntar-lhe se precisa de ajuda, ao fim do dia pode sentir-se frustrada, havendo um claro impacto negativo na sua autoestima. Essa pressão pode ainda fazê-la sentir-se incapaz de completar as suas tarefas e deixá-la com dúvidas sobre a qualidade do seu trabalho, pelo que se vai sentir menos agradecida a quem tentou ajudar. Isto, porque, na verdade, não precisava daquela ajuda.

 

Entre a espada e a parede

Se é uma pessoa extremamente pró-ativa e gosta muito de ajudar os outros, é possível que, tal como este estudo indica, tenha sentido níveis de gratidão muito inferiores aos de que gostaria. No entanto, a sua vontade de ajudar os outros pode estar a colocar em causa o próprio trabalho dos seus colegas e a fazê-los sentirem-se menos apreciados e valorizados.

Estar constantemente a tentar ajudar pode ter efeitos negativos ou mesmo tóxicos, como refere Johnson, para quem tenta ajudar. Ao não sentir gratidão por parte dos seus colegas, vai começar a sentir-se menos motivado para ajudar e também para desempenhar da melhor forma possível o seu trabalho.

Deste modo, o investigador sugere que é necessário conter a vontade de ajudar quando essa ajuda não é solicitada. É essa a fase que permite um sentimento de bem-estar generalizado superior, tanto para quem ajuda como para quem é ajudado, que denota ainda sentimentos de gratidão superiores.

A chave para o sucesso é conseguir alcançar um equilíbrio entre a quantidade de vezes que procura ajuda e a quantidade de vezes que a oferece. Tendo sempre em vista não ferir os sentimentos dos colegas e ajudá-los a progredir, realizando cada vez melhor cada tarefa. Deste modo vai sentir e demonstrar gratidão pela entreajuda que acontece na equipa, não se sentindo esgotada e triste ao fim do dia.


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