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A terapia do abraço é uma forma de autocuidado, mas o que é?

Assim como há psicólogos com quem pode conversar e massagistas que a ajudam a relaxar, há terapeutas que recorrem ao carinho para impulsionar o bem-estar.

abraço

As opções de apoio a cuidados de saúde já não são apenas baseadas em consultas médicas. Hoje em dia, é possível procurar ajuda para se sentir bem junto de opções que usam a cura energética ou mesmo o conforto de um abraço. Atenção: tais alternativas não substituem a medicina, como é óbvio, mas pode ser o apoio que se necessite em determinados casos – como alguém que precise de um abraço.

Bethany Heap é uma profissional do abraço. A proprietária da Cuddle Therapy Australia e da Cuddle Academy passa os seus dias a abraçar clientes e oferece formação àqueles que desejam tornar-se terapeutas de carinho acreditados. Neste artigo, Bethany explica o que é a Cuddle Therapy e o que implica ser uma profissional desta área.

O que é o abraço profissional?

“O abraço é estritamente profissional e consiste em proporcionar um serviço de acompanhamento a pessoas que se sentem sós, isoladas e incapazes de procurar conforto noutro lugar. Por vezes, quem recorre a esta terapia teve uma experiência que não pode partilhar com pessoas próximas ou quer ajuda para encontrar clareza nos pensamentos. O abraço profissional cria um ambiente seguro e um momento livre de julgamentos, para que os clientes descansem, encontrem apoio, desabafem e respirem. Mas é muito mais do que isto. Cada cliente vê o profissional como a sua própria motivação. Um carinho profissional dá espaço para que possa relaxar, chorar, dormir e sentir uma ligação com alguém.”

Quais são os benefícios cientificamente comprovados do abraço?

“O abraço produz oxitocina, uma hormona que promove a calma, a segurança e reduz as hormonas de stress. Para além de ser uma atenuante altamente eficaz na ansiedade, um bom abraço pode induzir sinais físicos de calma, como um ritmo cardíaco mais lento e uma pressão sanguínea mais baixa.

Este gesto pode também impactar positivamente a saúde mental e emocional, diminuindo a depressão ao mesmo tempo que aumenta os sentimentos positivos (como a autoestima).

Estudos demonstraram que um bom abraço pode aliviar a dor, reduzir a ansiedade, aumentar a imunidade e promover a calma, permitindo assim um sono melhor.”

Como se sente alguém que faz a terapia?

“Após a sessão, por norma, o cliente fica mais tranquilo. Quando comecei, tive um paciente em particular que se sentia realmente desconfortável com o toque. Hesitava se alguém lhe tocava no braço e sentia-se ansioso. Havia desconforto geral e ansiedade em relação a qualquer interação que tivessem com ele. Trabalhámos num processo de várias sessões, que provavelmente não soaria como algo relevante se fosse escrito, mas que para ele foi muito útil.

Alguns meses mais tarde entraram em contacto comigo para me informar de que ele estava numa relação e que a sua facilidade no trabalho também tinha melhorado. A terapia mudou-lhe a vida.”

É gratificante saber que estamos a ajudar as pessoas desta forma. O que a inspirou a tornar-se uma terapeuta de abraços?

“Sempre gostei de dar abraços. Os carinhos transmitem tanto às pessoas. Não importa se está a cumprimentar, a apoiar, a dar os parabéns, a consolar ou a criar laços com elas por causa de uma piada, há um abraço para tudo isto. Sou uma pessoa compassiva. Dou abraços autênticos, e adoro estar presente e disponível para as pessoas. Ser terapeuta de abraços era apenas uma extensão natural do trabalho que já estava a fazer. Identificava-se com a minha personalidade e o meu desejo de oferecer conforto às pessoas da melhor forma possível.”

Será que esta terapia satisfaz uma necessidade humana?

“Absolutamente. O toque é uma necessidade básica. A nossa comunicação mais precoce é o tacto. O primeiro ato desde o nascimento é colocar o bebé nos braços da mãe (ou do pai). Somos abraçados no momento em que chegamos ao mundo, antes de podermos falar, abraçamo-nos para mostrar amor. Como crianças, abraçamo-nos quando estamos felizes e abraçamo-nos para obter conforto se tivermos medo. É a nossa primeira forma de comunicação.

Para além da infância, para a maioria das crianças, os abraços continuam a desempenhar um papel vital no amor, apoio e pertença. À medida que passamos da adolescência para a idade adulta, tendemos a receber cada vez menos mimos (e a vida começa a tornar-se um pouco mais intensa nesta fase). No entanto, na idade adulta especialmente, é importante receber e praticar gesto.”

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