Menu
Inicio Living A surfista brasileira que encontrou o amor na Nazaré

A surfista brasileira que encontrou o amor na Nazaré

Amor pela sua carreira, pela força de concretizar os sonhos e pelas ondas gigantes. Conheça a história de Michelle des Boullions.

foto de Junior Enomoto

Na Indonésia, há uma conhecida onda na zona de Desert Point que, de tão longa que é, tem um nome distinto para cada fase. A última fase desta onda – a mais difícil e temida – dá-se a conhecer por Grower. A franco-brasileira Michelle des Boullions foi a primeira mulher a surfar com sucesso esta onda forte e rasa. Um feito que traçou o seu caminho enquanto surfista de ondas gigantes e a levou, de certa forma, até Portugal.

O feito daquela mítica onda asiática aconteceu, aliás, após Michelle passar por terras lusas. Com um bilhete só de ida, decidiu conhecer o outro lado das suas origens e passar uma temporada em França onde trabalhou essencialmente como modelo. Mas era do surf que queria viver. Por isso, “como a Nazaré estava mesmo ali ao lado”, a surfista veio conhecer as ondas portuguesas. A história foi-nos contada pela própria, no âmbito do evento She’s Mercedes, que aconteceu precisamente na Nazaré. Um evento de experiencias fora de estrada dedicadas apenas a mulheres, cujo programa terminou com a inspiradora história de vida de Michelle des Boullions.

Michelle des Boullions

Ora, sem patrocínios e pouca experiencia, Michelle não sentiu grande abertura por parte daqueles que abordava, a quem mostrava interesse em se desafiar nas ondas gigantes da Nazaré.

Provar o que vale, sempre

“Quando dizem que não consigo algo, eu fico ainda mais determinada em consegui-lo, para provar que sou capaz. Porque quando duvidam de nós, significa que não estamos a mostrar o nosso melhor, não estamos a dar tudo”, conta a surfista, que partiu de Portugal para uma temporada na Indonésia. Estava em Bali quando contatou o também surfista e amigo de infância Ian Cosenza. Ele estava de partida para Desert Point e Michelle acompanhou-o. Foi aí que surfou aquela que foi talvez a primeira onda a mudar a sua vida. Com todo o apoio que sentiu por parte de Ian – entretanto seu namorado – decidiu que estava na altura de mais um desafio: o de surfar na Nazaré. Agora sim, era a altura certa.

Michelle Nazaré

Ian, que já tinha a sua equipa e patrocínios, aceitou que este fosse um projeto dos dois e os resultados estão à vista. “Sou a única mulher na equipa, mas todos trabalhamos por igual, confiamos a vida uns nos outros”, conta-nos, ao explicar que, nas ondas gigantes, um surfista nunca está sozinho, mas é acompanhado por um membro da equipa que está pronto para o resgate e outro que orienta a direção que o surfista deve seguir. Além de Ian, o trio completa-se com o também surfista Lucas Chumbo.

Por cá, Michelle des Boullions foi assim fazendo o seu caminho, com conquistas pessoais e de equipa. A participação no Gigantes de Nazaré em março deste ano foi um destes feitos. Ela foi a primeira mulher a competir naquele evento.

“Como quero ser lembrada enquanto surfista profissional?”

A atleta é assim prova de que, quando queremos, não há nada que nos demova. Nem mesmo o medo de uma onda gigante criada pelo canhão da Nazaré. A surfista tinha 30 anos quando fez uma retrospectiva sobre toda a sua carreira. Um moemnto que a levou a questionar o que faltava ao seu percurso profissional. “Como quero ser lembrada enquanto surfista profissional?”. A resposta, encontrou-a na Nazaré. E, talvez, se não tivesse sentido a dificuldade que a levou a procurar apoio, desafiar-se na Grower e voltar a Portugal com o apoio e a convicção certas, a sua história hoje seria diferente.


*foto de Junior Enomoto

Brand Story