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A obsessão desta mulher pelo exercício físico quase a matou

A partir de um certo ponto, cuidar de si pode tornar-se uma obsessão e uma forma de autodestruição. Conheça o caso extremo desta jovem norte-americana.

É fácil pensar que ser ‘demasiado saudável’ é uma premissa errónea e que não existe tal coisa. No entanto, a verdade é que, a partir de um certo ponto, cuidar de si pode tornar-se uma obsessão e uma forma de autodestruição.

75, 75, 75. Este era o número que atormentava a vida de Christina Rice. Para esta jovem blogger, a felicidade tinha um número. Tal significava que tinha de treinar, pelo menos, 75 minutos, seis vezes por semana. Treinar era a única atividade que lhe aliviava a ansiedade que sentia durante a licenciatura e, para Christina, era uma forma bastante saudável de ganhar controlo sobre a sua vida.

“Eu precisava de treinar todos os dias, porque precisava de me sentir melhor. Comecei a treinar mais tempo e com mais intensidade todos os dias e acabou por perder o controlo”, explica Christina. Foi nesta fase que começou também a mudar a sua rotina alimentar e começou a comer o mínimo possível de alimentos processados.

Os problemas digestivos já faziam parte da sua vida. Foi depois de se informar sobre os perigos do açúcar, dos hidratos de carbono e da gordura, começou a restringir o seu plano alimentar para comer da forma mais ‘pura’ possível.

Aos 23 anos, a mudança foi bastante drástica. A jovem deixou de comer doces, fruta e a maioria das fontes de gordura. Sem perceber muito bem porquê, Christine começou a perder peso rapidamente e, em três meses, estava 20 kg mais magra.

O perigo da ortorexia

Com estas mudanças tão agravadas, Christina apercebeu-se de que estava viciada em exercício físico e tinha ortorexia. Nunca ouviu o conceito? Segundo o site da CUF, a ortorexia pode ser definida como “uma obsessão por ingerir apenas alimentos considerados ‘bons’ e saudáveis”. Este é um distúrbio alimentar que se distingue da anorexia e da bulimia. Aqui, o que acontece é um exagero e vício por alimentos puros, não havendo uma preocupação direta com o peso.

Apesar de, para o mundo exterior, a história de Rice parecer uma transformação de sucesso, trata-se, na verdade de um problema alimentar grave. O certo é que este problema acabou por consumir toda sua vida e as consequências foram muito além da saúde física.

“Deixei de sair com os meus amigos, porque eles queriam sempre estar comigo durante o tempo em que eu queria treinar, ou queriam ir a sítios que não suportavam as necessidades da minha alimentação”, explicou em entrevista.

Para Christina tudo era um problema. As suas preocupações diárias baseavam-na na hora a que tinha de comer, no que iria comer e na intensa rotina de exercício físico que se impunha a si própria. Descontente com o rumo da própria vida, a jovem norte-americana decidiu pesquisar e pedir aconselhamento a um nutricionista – tendo sido consultada por mais de 15 profissionais.

Chegou a pesar menos de 40 kg

Como não estava a tentar perder peso e tal não era uma preocupação para ela, este parecia um caso banal, de uma pessoa que queria ser saudável. Não havia nada que fizesse prever problemas.

Só quando chegou aos 37 kg é que as pessoas começaram a questionar o quão obcecada estava com a sua saúde.

Com apenas 37 kg, uma nutricionista conseguiu finalmente explicar o que se estava a passar. “Pode ter um ataque cardíaco e morrer a qualquer segundo”, explicou a profissional de saúde. Até aqui, nunca ninguém tinha sido tão direta a explicar a Christina o que se estava a passar e os riscos reais que corria.

O Índice de Massa Gorda encontrava-se nos 6.8%, sendo que o normal seria estar entre os 25% e os 35%. A magreza era de tal forma extrema que os órgãos rapidamente iam começar a desligar.

Wake-Up call

A confirmação do pior chegou, efetivamente. Entender que tinha um problema foi o primeiro passo e aí começou todo um novo desafio. Parar de treinar foi particularmente difícil. Foi com a ajuda de uma psicóloga, Christina conseguiu criar um plano para ser saudável, não fazendo disso uma obsessão.

“Ensinaram-me a fazer aquilo que eu tinha medo: parar de treinar e comer comidas que eu tinha medo, até aí”, explicou. “Tive de provar a mim mesma que não ia acontecer nada horrível se eu fizesse estas coisas”.

Começou com passos de bebé a cozinhar com azeite, primeiro apenas uma gota para saltear os vegetais. Depois introduziu a fruta no smoothie matinal e deixou de treinar durante uma hora e 15 minutos todos os dias.

“Li que esta comida ia para o lugar x, y ou z do corpo e meti na cabeça que a comida era má, por isso tinha medo”. Agora, percebe que vai sempre haver alguém a dizer bem ou mal da comida. É por isso que “só temos de comer aquilo que funciona para nós”.

Estamos numa época em que qualquer pessoa com um ecrã e teclado pode espalhar as suas crenças online. Isto pode dificultar o saber em que acreditar.

Comida nova, vida nova

A nutricionista prescreveu-lhe um plano alimentar, reintroduzindo os hidratos de carbono complexos e gorduras saudáveis na dieta de Christina. “Agarrei-me a este pedaço de papel, porque era a minha receita”; Disse-o, enquanto agarrava o papel, agora com dois anos, nas mãos.

“Perguntava-me a mim própria o que me aconteceria se comesse aquele alimento. Ganhar peso, que era o que eu precisava”. Nesta fase, a jovem entendeu que o bloqueio mental tinha passado e isso deu-lhe uma sensação de poder e força.

Hoje, permite-se comer alimentos integrais, fazendo uma dieta paleo, com base nas diretrizes da nutricionista. Aprendeu que não reage bem ao glúten, o que aumentava os seus problemas digestivos. Também já não sente necessidade de treinar todos os dias para se sentir ‘limpa’ e hoje é uma inspiração para outras mulheres que sofrem do mesmo problema.

“Quero mostrar às mulheres que existe sempre alguma coisa pela qual lutar, que existe sempre alguém que pode ajudar e que não estão sozinhas”, concluiu.

A chave é seguir uma dieta e um plano de treinos equilibrados. Faça-o tendo em mente a prescrição médica e de um profissional de exercício físico.


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