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A diabetes não parou esta PT, nem por um segundo

Urge falar sobre a diabetes. Seja por quem a sofre como pelos que os rodeiam. Inês Abrantes dá o exemplo e prova que há mitos a derrubar sobre o tema.

Seguir a PT Inês Abrantes no Instagram é ter a garantia de que verá diariamente vários insta stories da própria a treinar ou a trabalhar em ambiente de ginásio. Como muitos outros personal trainers, a professora não falha aos seus treinos e prova que não há desculpas para não treinar. E se uma doença autoimune não serve como desculpa, três também não irão servir – Inês vive, desde os 20 anos de idade com diabetes tipo 1, doença autoimune da tiroide e artrite reumatoide.

“Quando uma pessoa sofre de diabetes, é normal que tenha predisposição para sofrer de outras doenças autoimunes”. Hoje, esta realidade é-lhe mais que normal. Aliás, a PT admite mesmo que “hoje, felizmente, já não sei o que é viver sem diabetes”. Mas nem sempre foi assim.

Há 5 anos atrás, lembra que sentiu uma grande mudança já que na altura nem sabia o que era a diabetes tipo 1: “achava o mesmo que a grande maioria, que havia apenas um tipo de diabetes e que tinha a ver com a alimentação. Eu ainda estava na faculdade e não tinha muita noção destas questões de saúde”, conta à Women’s Health.

Treinar? Sempre!

Embora ainda estudasse e não vivesse do exercício físico, os treinos já faziam parte do seu dia-a-dia e nunca deixou de treinar. Por culpa de questões hormonais, que lhe fizeram alterar o seu peso, por culpa da insulina, e ainda demoraram um período a estabilizar, viu-se obrigada a deixar de competir em kickboxing. Mas a mudança não a fez largar o desporto. Pelo contrário, hoje é personal trainer e instrutora de kickboxing.

Também a alimentação – que sempre foi devidamente e equilibrada e sem exageros -, Inês assume não ter sentido grandes mudanças. Já a nível psicológico, “foi a maior mudança”. Ser diagnosticada com diabetes obrigou-a a reaprender a lidar com o próprio corpo, uma aprendizagem que fez por transmitir aos familiares, amigos e colegas de trabalho, de quem sabe poder vir a ficar dependente algum dia”.

Mas depois da adaptação, veio o controlo, um aspeto que garante que hoje consiga levar uma vida completamente normal: “Não me sinto limitada em nada. Trabalho por vezes 12 ou 13 horas, durmo as horas que posso, saio à noite, treino… tudo o que qualquer outra pessoa faria. Para tal, nada como conhecer a doença e o próprio corpo, uma relação crucial e que, diz-nos Inês, “permite que aprendamos muito connosco próprios. Erra, aprende, tenta outra vez, descobre o que funciona”, enumera. “O processo não é igual de pessoa para pessoa, nem de dia para dia. É, por isso, uma adaptação constante, a toda a hora”, conclui.

‘Diabetestipoeu’

Este é o nome da página de Instagram que Inês criou para falar da doença com que vive. Embora cada caso seja muito particular, é comum procurar-se nas redes sociais alguém que passe por cenários semelhantes ao nosso. Desde que começou a publicar alguns posts sobre a diabetes, não tardou a que Inês começasse a receber mensagens de quem passou pelo mesmo. “Muitas são relacionadas com as novas tecnologias. As pessoas vêm-me perguntar como as usar ou calcular os valores”, conta. Além disso, acrescenta, “há também muitas partilhas. Esta é a parte boa. As pessoas partilham as suas histórias, como pais que descobriram que os filhos tinham diabetes; ou jovens que partilham as sua próprias histórias. Por sermos tão novos, as pessoas que têm esta doença acabam por criar quase uma relação de amizade com aqueles com quem se identificam”.

Em suma, criou este Instagram para esclarecer certas questões. “É por lá que falo com os outros. Acredito que seja um tema chato para quem não tem diabetes, por isso na minha página pessoal só publico uma coisa ou outra”.

“Tens diabetes? Não parece nada…”

Este é o tipo de comentários que Inês Abrantes por vezes recebe e que a leva a questionar “o que responder a isto?”. Mas o certo é que, por parte de quem não sofre desta doença, “há uma grande confusão entre a diabetes de tipo 1 e tipo 2.”

“O que eu acho é que se crê na ideia de que alguém desenvolve esta doença porque come mal, é sedentário. Mas não tem nada a ver, é uma causa autoimune. É como a psoríase, só que o ataque é feito às células do pâncreas”, diz-nos.

Esclarecer estes aspetos é essencial, tanto para a população diabética como para a população em geral. Contudo, e embora Inês reconheça o valor das suas duas médicas, admite saber que “há muitos médicos que nem explicam aos doentes o que é a diabetes tipo 1. Acredito que há muita desinformação”. Contra isso, o conselho desta personal trainer é o de que se procure um médico com quem cada paciente bem se entenda. “É a nossa maior necessidade enquanto doente”.

Saber sempre mais

Muitos são os diabéticos que, tal como Inês, reconhecem a importância de encontrar quem os ajude num melhor conhecimento sobre o seu próprio caso, uma realidade que não se fica pela parte médica. “Tenho vários alunos com diabetes tipo 1 que me procuram neste sentido. Não só pelo conhecimento teórico como pela experiência prática em saber que, se fizerem isto hoje, mais tarde irá acontecer aquilo; ou saber como lidar com a hipoglicemia durante o treino, por exemplo”.

“No fundo, é um bocadinho dar e receber. Se eu partilhar o que faço, como é o meu dia-a-dia, como reajo, as pessoas à minha volta vão também partilhar comigo o seu dia, as suas experiências, as suas questões”, conclui.

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