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A avaria no circuito elétrico cardíaco – um problema só de homens?

No dia Mundial do Coração, explore o tema pela voz de Patrícia Afonso Mendes, Membro do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular.

coração

O nosso coração tem um complexo circuito elétrico que, quando em funcionamento correto, permite a contração rítmica do músculo cardíaco. A sua “avaria” propicia ao aparecimento de arritmias. Uma das mais comuns no mundo, especialmente com o aumento da idade, é a fibrilhação auricular.

Esta arritmia é mais frequente nos homens, no entanto, como as mulheres vivem tendencialmente mais anos, esta diferença dilui-se um pouco acima dos 75 anos, por existirem mais mulheres do que homens nesta faixa etária.

A contração cardíaca menos ineficaz por esta arritmia provoca a estagnação do sangue no seu interior, com o risco de formação de trombos ou coágulos. Se estes coágulos sanguíneos saírem do coração para a circulação sanguínea, podem chegar ao cérebro havendo o risco de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) isquémicos, com múltiplas sequelas e lógica diminuição da qualidade de vida dos doentes, bem como consequente aumento da mortalidade. Ser mulher aumenta o risco de poder ter este tipo de AVC.

A fibrilhação auricular é muitas vezes uma doença silenciosa. Noutros casos pode-se manifestar com sensação de palpitações (descoordenação de batimentos cardíacos), taquicardia (batimentos acelerados e irregulares), ou alguns sintomas menos típicos como tonturas, sensação de desmaio, dificuldade em respirar, cansaço ou sensação de aperto no peito. As mulheres tendem a ser mais sintomáticas e com mais sintomas atípicos.

Há alguns fatores de risco e doenças associados à facilitação de aparecimento desta arritmia: o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas ou de drogas, o stress, o sedentarismo, o consumo de cafeína em excesso, a obesidade, a diabetes, a insuficiência cardíaca, a hipertensão arterial, a doença coronária ou a síndrome de apneia obstrutiva do sono.

Para se tratar a fibrilhação auricular devem-se considerar especialmente duas vertentes: controlar a velocidade a que bate o coração e evitar o aparecimento de coágulos no coração. O mais comum é o tratamento de ambas com comprimidos. No primeiro caso são usados alguns fármacos que ajudam a desacelerar os batimentos cardíacos, como os beta-bloqueantes e a digoxina. Também podem ser usados medicamentos anti-arrítmicos, como por exemplo a amiodarona, neste caso tanto para desacelerar os batimentos cardíacos coo tentar que o coração volte a bater regularmente. As mulheres parecem ter mais efeitos secundários associados à toma de alguns anti-arrítmicos.

Para evitar a formação de trombos e coágulos, recorre-se ao uso de anticoagulantes orais. Em Portugal, como no resto do mundo, são cada vez mais prescritos os Novos Anticoagulantes Orais (NOAC) pela sua facilidade de toma e gestão. Nalguns casos específicos de fibrilhação auricular é ainda necessário recorrer-se à varfarina. As mulheres com fibrilação auricular tratadas com varfarina parecem ter um risco residual aumentado para o AVC ou embolia sistémica quando comparadas com os homens.

Acima de tudo, é importante saber que a gestão desta doença deve ser multidisciplinar e holística, com boa comunicação entre médicos de Medicina Geral e Familiar, Internistas, Cardiologistas, Neurologistas e por vezes Cirurgiões Cardíacos. Por isso em caso de dúvida não hesite em contactar o seu médico.


Artigo escrito por: Dra. Patrícia Afonso Mendes, Membro do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular

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